
O Instituto Metrópole Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (IMD/UFRN) iniciou nesta semana o desenvolvimento de uma nova ferramenta de inteligência artificial voltada ao Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa começou após a visita de uma comitiva do Ministério da Saúde (MS), recebida na terça-feira (9), quando tiveram início as discussões técnicas para a criação do projeto OuvidorSUS.IA.
A solução tem como objetivo modernizar e automatizar o gerenciamento das manifestações encaminhadas às ouvidorias do SUS em todo o país. A proposta é aplicar recursos de inteligência artificial para classificar solicitações, identificar demandas recorrentes e apoiar a elaboração de respostas, com integração a plataformas já utilizadas pelo Ministério, como o FalaBR e o próprio OuvidorSUS.
Além do tratamento automatizado das manifestações, o projeto prevê uma frente de análise de dados e de sentimentos, permitindo a extração de informações estratégicas a partir das demandas registradas pela população.
“A ideia é transformar dados que hoje estão dispersos e pouco aproveitados em informações acionáveis, capazes de orientar políticas públicas. Com a IA, será possível identificar, por exemplo, em quais regiões há maior falta de medicamentos ou onde estão concentrados os relatos de surtos de dengue”, explica Elias Jacob, professor do IMD e coordenador do projeto.
Alinhamento técnico e visitas institucionais
A agenda da comitiva do Ministério da Saúde no IMD tem duração prevista de três dias e inclui o alinhamento de metas, a apresentação do Instituto e o aprofundamento nas rotinas e desafios da Ouvidoria-Geral do SUS. Na terça-feira (9), os visitantes conheceram a infraestrutura do IMD, incluindo o datacenter, além de programas de ensino, pesquisa, extensão e empreendedorismo.
Também fizeram parte da programação visitas ao Parque Tecnológico Metrópole Digital (Metrópole Parque) e a empresas associadas à incubadora de startups do Instituto. A recepção contou com a presença do diretor-geral do IMD, professor José Ivonildo Rêgo, do diretor do Metrópole Parque, Rodrigo Romão, e da professora Iris Pimenta, diretora adjunta do Parque Tecnológico e integrante da equipe do projeto.
Na quarta e quinta-feira, a programação inclui workshops e reuniões técnicas, organizadas em dois turnos, voltadas à apresentação das equipes, definição de cronograma, alinhamento das tecnologias envolvidas e refinamento dos objetivos do OuvidorSUS.IA.
“A gente segue uma metodologia específica e, neste primeiro momento, vamos coletar os requisitos necessários para o desenvolvimento dessa nova tecnologia para o SUS. Ou seja, vamos ouvir quem atua hoje com a Ouvidoria do Sistema Único para entender as necessidades e alinhar a criação dos produtos a isso”, afirma Elias Jacob.
Desenvolvimento e próximos passos
As atividades iniciais do projeto tiveram início em novembro, com a seleção de bolsistas que integram a equipe multidisciplinar formada por pesquisadores e estudantes da UFRN. Segundo a coordenação, este momento marca o começo efetivo do desenvolvimento tecnológico da solução.
Entre os recursos previstos estão a geração de painéis e relatórios dinâmicos, que devem facilitar o acompanhamento de demandas em nível nacional e apoiar o planejamento de políticas públicas na área da saúde.
“Uma das frentes desse trabalho é trazer para dentro do OuvidorSUS o fluxo da Lei de Acesso à Informação. Hoje, esse trabalho é muito manual e a ideia é integrar tudo ao sistema e auxiliar os pontos de resposta do Ministério da Saúde, sempre com foco no atendimento à população”, comenta Leonardo Maia, coordenador de gestão da informação em ouvidorias do SUS.
O desenvolvimento do OuvidorSUS.IA tem prazo estimado de até 24 meses, com um período adicional destinado à transferência de tecnologia e capacitação de técnicos do Ministério da Saúde. A expectativa é que o primeiro protótipo da ferramenta seja apresentado nos próximos meses.













