
O Brasil alcançou o maior nível de inadimplência empresarial já registrado, segundo dados divulgados pela Serasa Experian nesta sexta-feira (17). Ao todo, quase 9 milhões de empresas estão com CNPJs negativados, acumulando uma dívida que chega a R$ 213 bilhões.
O cenário atinge de forma mais intensa as pequenas e médias empresas (PMEs), que representam mais de 90% dos inadimplentes. Com menor acesso a crédito e maior exposição a taxas elevadas, essas empresas enfrentam dificuldades para manter operações e preservar empregos.
Especialistas apontam que parte desse quadro está relacionada à dificuldade de acesso a linhas de financiamento mais adequadas. Muitas dessas empresas possuem valores a receber no futuro como vendas parceladas no cartão ou notas fiscais emitidas, mas não conseguem transformar esses recursos em capital imediato em condições favoráveis.
Uma das alternativas disponíveis no mercado é a antecipação de recebíveis, mecanismo que permite às empresas obter liquidez ao utilizar esses valores futuros como garantia. Segundo Calil Gedeon, CFO da Monkey, a modalidade pode oferecer taxas mais competitivas para PMEs, em torno de CDI acrescido de 1% a 3%.
O executivo também alerta para erros recorrentes na gestão financeira. “Isso já nasce torto e com uma tendência muito alta a dar errado”, afirmou, ao comentar a prática de utilizar financiamentos de curto prazo para investimentos de longo prazo. Ele defende o alinhamento entre fluxo de caixa e tipo de crédito contratado.
Outra medida que pode impactar o acesso ao crédito é a duplicata escritural, prevista para entrar em operação a partir de julho de 2026. A ferramenta funcionará como um registro digital que formaliza compromissos de pagamento, ampliando a segurança para instituições financeiras e facilitando a antecipação de recebíveis.
A expectativa é que a nova modalidade amplie o mercado de crédito corporativo, hoje estimado em cerca de R$ 1 trilhão por ano, com potencial de expansão para até R$ 13 trilhões. A mudança pode beneficiar especialmente pequenas e médias empresas, ao ampliar opções de financiamento e reduzir custos.
Diante do cenário atual, especialistas reforçam a necessidade de planejamento financeiro e de maior acesso à informação sobre alternativas disponíveis, como forma de reduzir o endividamento e garantir a sustentabilidade dos negócios.













