
A indústria do Rio Grande do Norte apresentou manutenção e expansão do emprego formal em 2025, mesmo diante de um ambiente marcado por recuo da produção industrial. A avaliação integra estudo do Observatório da Indústria MAIS RN, do Sistema FIERN, que passou a acompanhar de forma periódica a relação entre produção e mercado de trabalho no estado, a partir do cruzamento de dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-IBGE) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Segundo o assessor técnico do Observatório, Pedro Albuquerque, a análise conjunta amplia a compreensão do desempenho do setor. “A análise integrada do PIM-IBGE com os dados de emprego formal permite uma leitura mais abrangente do comportamento da indústria potiguar”, afirmou.
Entre os resultados positivos, as indústrias extrativas registraram crescimento médio de 6,6% no emprego formal entre janeiro e novembro, impulsionadas por atividades como extração de petróleo, exploração de tungstênio, metais preciosos e sal marinho. O avanço acompanhou a variação positiva da produção nesses segmentos, conforme a análise.
A indústria de Alimentos também apresentou desempenho consistente no mesmo intervalo. De acordo com a analista de Negócios do Observatório, Mariana Freitas, “os segmentos de panificação, sorvetes e laticínios apresentaram crescimento médio de 3,9% no emprego, corroborando o desempenho positivo observado na produção”. O resultado indica capacidade de preservação de postos de trabalho mesmo em um cenário econômico adverso.
Outro segmento relevante foi o complexo Têxtil, de Confecção e Vestuário, que se consolidou como o maior empregador da indústria de transformação potiguar, com 21.358 trabalhadores formais. Em 2025, o setor registrou expansão de 4,4% no emprego, em linha com os dados da PIM-IBGE. Para Mariana Freitas, o desempenho confirma a relevância do segmento, “reforçando seu papel estratégico no atual parque industrial do estado”.
Produção industrial enfrenta desafios no Nordeste
No panorama geral, o ano foi desafiador para a produção industrial do Rio Grande do Norte. Em novembro de 2025, o desempenho estadual foi impactado, sobretudo, pelo setor de Refino de Petróleo e Biocombustíveis, responsável por cerca de 24,17% do PIB industrial potiguar, que acumulou queda de 16,94% no período analisado.
Ao desconsiderar esse efeito específico, outros segmentos industriais apresentaram resultados positivos, ainda que moderados. “Quando isolado esse efeito, observa-se que outros segmentos industriais apresentaram variações positivas, ainda que moderadas, ao longo de 2025”, explicou Pedro Albuquerque, ao citar os avanços das Indústrias Extrativas (+0,78%), da Indústria de Alimentos (+0,74%) e do Vestuário (+3,59%).
No recorte regional, o Nordeste registrou baixo dinamismo industrial. Em novembro, a produção avançou 0,1% frente a outubro e cresceu 0,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. No acumulado do ano, o resultado foi negativo, com recuo de 0,5%, refletindo entraves estruturais semelhantes aos observados no cenário nacional.
Cenário nacional
No Brasil, dados da PIM-IBGE indicam estabilidade da produção industrial em novembro de 2025 em relação a outubro, com variação de 0,0%. Na comparação interanual, houve queda de 1,2%. Entre janeiro e novembro, a indústria nacional acumulou crescimento de 0,6%. “O desempenho reforça a leitura de que 2025 foi um ano de quase estagnação para a indústria brasileira, marcado por baixo dinamismo e forte heterogeneidade setorial”, avaliou Albuquerque.
No resultado mensal, alguns segmentos exerceram impacto positivo relevante, com destaque para:
- Produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+9,8%);
- Impressão e reprodução de gravações;
- Metalurgia;
- Produtos de metal;
- Produtos de minerais não metálicos;
- Máquinas e equipamentos.
Em sentido oposto, os principais impactos negativos decorreram dos segmentos:
- Indústrias extrativas;
- Veículos automotores, reboques e carrocerias;
- Produtos químicos;
- Produtos alimentícios;
- Bebidas.
Na série com ajuste sazonal, 8 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE registraram crescimento em novembro. Mato Grosso (7,2%) e Espírito Santo (4,4%) apresentaram as maiores expansões, enquanto Goiás (-6,4%) e Amazonas (-2,8%) tiveram os recuos mais intensos.
O acompanhamento periódico desses indicadores busca oferecer subsídios técnicos para a compreensão do comportamento da indústria potiguar e apoiar o planejamento de ações voltadas ao fortalecimento do setor no estado.













