
A campanha Janeiro Verde chama a atenção para as mudanças no rastreamento do câncer do colo do útero com o lançamento da atualização do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, apresentado na quinta-feira (8) pela Fundação do Câncer. O material reúne novas orientações voltadas à prevenção e ao diagnóstico precoce da doença, considerada uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres no Brasil.
Entre as atualizações, o guia amplia o intervalo entre os exames de rastreamento quando os resultados são negativos e fortalece estratégias de detecção precoce. As diretrizes substituem protocolos anteriores baseados principalmente no exame Papanicolau por citologia, alinhando o país a recomendações adotadas internacionalmente.
A cartilha também reforça a importância da vacinação contra o HPV, infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo e principal fator associado ao desenvolvimento do câncer do colo do útero. A primeira edição do guia, lançada em 2022, já abordava a imunização, e a versão atual amplia o enfoque em políticas públicas e ações educativas voltadas à saúde feminina.
Para o presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Rio Grande do Norte (Sogorn), Robinson Dias, as mudanças representam um avanço no cuidado com as mulheres. “As novas diretrizes trazem mais precisão ao rastreamento do câncer do colo do útero e permitem um acompanhamento mais adequado, baseado em evidências científicas. Isso significa mais segurança para as mulheres e maior efetividade na prevenção”, afirma.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que o câncer do colo do útero é o terceiro mais incidente entre as brasileiras. Para cada ano do triênio 2023-2025, a estimativa é de 17.010 novos casos, o que corresponde a uma taxa de 15,38 ocorrências a cada 100 mil mulheres.
Apesar da incidência, especialistas ressaltam que a doença pode ser evitada com informação, vacinação e acompanhamento médico periódico. “A vacinação contra o HPV, aliada ao rastreamento adequado, é uma estratégia fundamental para reduzir drasticamente os casos da doença. Por isso, é essencial que as mulheres procurem regularmente o ginecologista, mesmo na ausência de sintomas”, finaliza Robinson Dias.













