
Jean Paul Prates, ex-senador e ex-presidente da Petrobras, confirmou que está de saída do Partido dos Trabalhadores (PT), onde militou por mais de dez anos. Em entrevista à Carta Capital, ele afirmou que mantém conversas avançadas com MDB e PDT, legendas pelas quais pode tentar retornar ao Senado nas eleições de 2026.
Segundo Prates, a decisão não decorre de ressentimentos pela forma como deixou a Petrobras em 2023, mas da avaliação de que o processo de escolha de candidaturas no diretório petista no Rio Grande do Norte deixou de ser democrático.
“Fui senador, presidi a Petrobras, e ainda assim não houve consulta. Meu ponto não é buscar espaço para mim, mas defender que o processo de escolha de candidatos seja participativo, inclusive com as bases”, disse.
Relação com o governo e divergências técnicas
Prates afirmou que sua saída da estatal se deveu a “divergências técnicas” com os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). Ele destacou que, sob a presidência de Magda Chambriard, a Petrobras mantém diretrizes definidas durante sua gestão, mas avaliou que algumas decisões podem comprometer a transição energética, como os investimentos em etanol.
Na entrevista, ele também criticou o atual cenário do setor: “Há uma crise gigantesca no setor de energia, que muita gente evita admitir”. Para o ex-senador, a política energética se transformou em uma “quermesse de megawatts”, marcada pela atuação de lobistas.
Eleições de 2026
Sobre as eleições presidenciais, Prates avaliou que Lula mantém o favoritismo, mas que a oposição pode lançar múltiplos candidatos, criando um “caos cognitivo”. Para ele, esse movimento dificultaria a campanha do presidente:
“Precisamos nos preparar para a possibilidade de múltiplos candidatos contra Lula, e não apenas um”.
Prates acrescentou que o campo progressista também pode adotar estratégia semelhante, a exemplo do que ocorreu em 1989, embora considere essa possibilidade remota.
Futuro político
O ex-senador explicou que sua saída do PT ocorrerá em três etapas: despedida oficial do partido, escolha de uma nova legenda e, posteriormente, a avaliação sobre eventual candidatura.
“Não posso dizer que estou indo para uma legenda para ser candidato a alguma coisa. Parece burocrático, mas acho que todo partido deveria ser assim. Não sou profissional da política, vou para a política porque gosto dela”, declarou.












