
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira (11) que conta com o apoio da população brasileira para enfrentar as sanções econômicas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos. Segundo ele, o país não pode “baixar a cabeça” diante das chantagens e advertências de Donald Trump.
Durante cerimônia em Linhares (ES), que marcou o lançamento das indenizações às vítimas do rompimento da barragem de Mariana (MG), Lula afirmou: “Esse país não baixará a cabeça para ninguém. Ninguém porá medo nesse país com discurso e com bravata. Ninguém. E eu acho que, nesse aspecto, nós vamos ter o apoio do povo brasileiro, que não aceita nenhuma provocação.”
A sanção anunciada por Trump prevê uma taxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, a partir de 1º de agosto. A medida foi amplamente criticada no Brasil por entidades empresariais, centrais sindicais, parlamentares e movimentos sociais .
Lula reafirmou que, caso as negociações diplomáticas não avancem, o Brasil recorrerá à Lei de Reciprocidade Econômica (15.122/2025) para aplicar medidas equivalentes. Ele rebateu ainda a alegação de Trump de que os EUA enfrentam déficit comercial com o Brasil, afirmando que, na realidade, há um superávit americano de cerca de US$ 410 bilhões nos últimos anos.
“Eu que deveria taxar ele”, declarou Lula, acrescentando que Trump estaria “mal informado” .
Lula também fez duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar influenciar sanções contra o Brasil para evitar seu julgamento no Supremo Tribunal Federal. “Que tipo de homem […] que não tem vergonha para enfrentar o processo de cabeça erguida e provar que foi inocente? […] Quem está denunciando ele são os generais e o ajudante de ordens dele, que era coronel do Exército”, disse. Ele ainda lamentou a licença parlamentar concedida a Eduardo Bolsonaro, que foi aos EUA buscar apoio de Trump: “É preciso que essa gente crie vergonha na cara” .
Especialistas caracterizam a tarifa dos EUA como “chantagem política”, voltada a frear iniciativas brasileiras no bloco dos BRICS e pressionar o Judiciário nacional.
*Com Informações de Agência Brasil
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