
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a autonomia do Banco Central e defendeu que o chefe do Executivo tenha maior possibilidade de atuação sobre as decisões econômicas do país. A declaração foi dada nesta terça-feira (15), durante entrevista ao Jornal da Record, em uma série de entrevistas com candidatos à Presidência nas Eleições 2026.
Durante a entrevista, Lula afirmou que a independência do Banco Central não foi suficiente para solucionar os problemas econômicos brasileiros e defendeu maior capacidade de intervenção do presidente eleito.
“Alguém achava que o Banco Central independente ia resolver o problema do mundo. Não resolve. O que resolve é o presidente da República eleito ter poder de interferir em algum momento da economia, coisa que nós não temos mais”, afirmou.
Como funciona a autonomia do Banco Central
A autonomia do Banco Central foi instituída pela Lei Complementar nº 179, de 24 de fevereiro de 2021. A legislação definiu a instituição como uma autarquia de natureza especial, com autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira.
A lei também estabeleceu mandatos de quatro anos para o presidente e os diretores do Banco Central, com início dos períodos de gestão em momentos diferentes do mandato do presidente da República. Os integrantes da diretoria são indicados pelo chefe do Executivo e precisam ter seus nomes aprovados pelo Senado Federal.
A legislação estabelece ainda que o objetivo fundamental do Banco Central é assegurar a estabilidade de preços. Entre outros objetivos estão a estabilidade e a eficiência do sistema financeiro, a redução das oscilações da atividade econômica e o estímulo ao pleno emprego.
Durante o início do atual governo, Lula teve Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. Campos Neto havia sido indicado durante o governo Jair Bolsonaro. Posteriormente, Lula indicou Gabriel Galípolo para presidir a instituição.
Inflação, emprego e renda
Na entrevista, Lula também abordou as prioridades econômicas para um eventual novo mandato. O presidente afirmou que pretende combinar medidas voltadas à inflação com ações para ampliar a produção de alimentos, gerar empregos e elevar a renda. A entrevista foi exibida pela Record em meio à cobertura eleitoral de 2026.
Lula afirmou ainda que a inflação acumulada estaria no menor nível em quatro anos, mas reconheceu que os resultados obtidos até o momento não solucionaram todos os problemas econômicos.
“Não resolveu tudo, não. Nós temos que fazer muito mais”, afirmou o presidente.
As declarações foram feitas durante a entrevista em que o candidato à reeleição também tratou de temas relacionados à política econômica, incluindo inflação e juros.













