
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (1º), que duvida que seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, tenha feito lobby ou conversado com ministros do governo para tratar de negócios ou contratos públicos. A declaração foi dada durante entrevista ao Flow Podcast, enquanto a Polícia Federal investiga suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger.
“Eu duvido que meu filho tenha feito lobby com qualquer ministro meu. Duvido que meu filho tenha conversado com alguém a respeito disso”, declarou.
Lula afirmou, porém, que o filho deverá prestar contas à sociedade caso as investigações indiquem a prática de alguma irregularidade. O presidente também disse que não pretende utilizar a estrutura do governo para protegê-lo.
“Ele sabe que vai ter da minha parte de solidariedade, mas ele terá que prestar contas à sociedade. Justo. Ele e qualquer um”, afirmou.
Durante a entrevista, Lula foi questionado sobre a relação entre Lulinha e Roberta Luchsinger, que é investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência.
O presidente afirmou não conhecer a empresária e disse que eventuais fotografias ao lado dela não seriam suficientes para comprovar uma relação de proximidade.
“Eu não conheço essa Roberta. Posso ter tirado foto com ela, como eu tiro de um milhão de pessoas. Acho que ninguém tira mais fotos do que eu nesse mundo”, declarou Lula.
De acordo com as informações da investigação apresentadas no texto, a Polícia Federal apura se Roberta Luchsinger teria atuado com pessoas próximas a Lulinha para intermediar interesses privados junto a órgãos do governo federal.
Entre os assuntos analisados estão tratativas relacionadas à comercialização de cannabis medicinal e outros negócios envolvendo empresas privadas.
A investigação também analisa mensagens e pagamentos relacionados a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.
Segundo a Polícia Federal, Roberta teria realizado pagamentos de R$ 217 mil referentes a despesas de Marcola em 2024. A defesa dele afirma que os valores estavam relacionados a um empréstimo pessoal e nega qualquer atuação em negociações ou licitações do governo.
A apuração policial também examina possíveis contatos de Roberta com integrantes do governo para tratar de interesses empresariais. Um dos casos investigados envolve negociações relacionadas à venda de produtos de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde.
Segundo a PF, mensagens analisadas no inquérito indicariam que Roberta dizia falar em nome de Lulinha e utilizava a expressão “Eu sou o Fábio”. A defesa do filho do presidente contesta as acusações e questiona a divulgação de informações da investigação.
O Ministério de Minas e Energia nega que o ministro Alexandre Silveira tenha sido procurado para interferir em uma disputa comercial envolvendo a Unigel e a Petrobras.
Durante a entrevista, Lula também foi questionado sobre uma informação segundo a qual Lulinha receberia R$ 300 mil mensais em um suposto esquema relacionado ao “Careca do INSS”. A defesa do filho do presidente nega a acusação.
Ao comentar as suspeitas, Lula afirmou que, caso seja comprovada a prática de algum crime, Lulinha deverá responder pelos próprios atos, assim como qualquer outra pessoa.













