
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne nesta quarta-feira (26) com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em Brasília. O encontro ocorre em meio às negociações do governo para acelerar projetos de interesse do Palácio do Planalto no Congresso e ampliar o diálogo com as duas Casas antes do período eleitoral.
A pauta oficial da reunião é a medida provisória (MP) que prevê o fim da cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como “taxa das blusinhas”. A conversa, no entanto, também deve incluir outras propostas defendidas pelo governo e questões relacionadas à articulação política para as eleições.
O almoço deverá contar com a presença do ministro José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela interlocução do Executivo com o Congresso. Na terça-feira (25), o ministro afirmou que a reunião serviria para aprofundar o diálogo entre os Poderes.
MP precisa ser votada até setembro
A medida provisória que trata da cobrança tem prazo de validade até 8 de setembro. Se não for analisada pelo Congresso até essa data, perderá validade e a cobrança poderá voltar a vigorar.
Antes de chegar aos plenários da Câmara e do Senado, a proposta precisa passar por uma comissão mista, formada por deputados e senadores. A instalação do colegiado foi adiada no último dia 12 devido à falta de acordo entre as lideranças para a definição dos principais cargos.
Para o governo, a escolha do presidente e do relator da comissão é relevante para a tramitação da matéria e para preservar o conteúdo defendido pelo Executivo.
Em entrevista à Record TV no domingo (23), Lula afirmou que havia conversado com Alcolumbre sobre o tema e antecipou a reunião desta quarta-feira. Segundo o presidente, a intenção seria anunciar o fim da cobrança.
Outras pautas podem entrar na conversa
Além da medida provisória, aliados do presidente avaliam que a reunião poderá abordar outras propostas em discussão no Congresso. Entre elas está a PEC relacionada ao fim da jornada de trabalho 6×1.
O calendário eleitoral também influencia a articulação entre Executivo e Legislativo. A próxima semana deverá ser a última com sessões de votação antes do primeiro turno, conforme o calendário mencionado no texto-base.
Motta e Alcolumbre são considerados importantes para as negociações políticas do governo, sobretudo porque seus partidos adotaram posição de neutralidade na disputa presidencial.
A relação entre Lula e Alcolumbre foi retomada no início de agosto, após mais de três meses de distanciamento. O período de afastamento ocorreu depois que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde então, os dois voltaram a manter contatos relacionados a projetos do governo, alianças políticas e à sucessão da presidência do Senado, prevista para 2027.
Alcolumbre também participou recentemente de uma agenda com Lula no Amapá, onde os dois estiveram juntos após a Petrobras anunciar uma descoberta de petróleo na região da Foz do Amazonas.
Motta também se aproxima do governo
Hugo Motta intensificou a aproximação com o presidente nos últimos meses. Além de buscar apoio para permanecer à frente da Câmara, o deputado trabalha pela candidatura do pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), ao Senado pela Paraíba.
Em 10 de agosto, Motta declarou apoio à reeleição de Lula. Na sexta-feira (21), participou do lançamento de um comitê de campanha em Patos (PB) usando um boné vermelho com o nome do presidente. Também publicou nas redes sociais uma fotografia ao lado de Lula.
Governo busca ampliar apoio político
A articulação ocorre em um cenário de investigações no Supremo Tribunal Federal envolvendo parlamentares e aliados políticos. A campanha de Lula também enfrenta repercussões de investigações que citam pessoas próximas ao presidente, entre elas seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Segundo informações divulgadas pelo O Globo, integrantes do governo avaliam acelerar medidas com potencial de impacto sobre a população para ampliar o alcance político do Executivo durante o período eleitoral.
A proximidade do calendário eleitoral aumenta a pressão sobre o governo para avançar com propostas consideradas prioritárias. Nesse contexto, a reunião de Lula com os presidentes da Câmara e do Senado representa uma tentativa de alinhar a tramitação de projetos e fortalecer a interlocução com o Congresso.













