
Mais de 55% das gestações no Brasil ocorrem sem planejamento, de acordo com uma pesquisa da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. O cenário é ainda mais alarmante entre adolescentes: oito em cada dez engravidam de forma não intencional, o que representa um risco significativo à saúde e ao futuro dessas jovens.
Nos Hospitais Universitários vinculados à Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), médicos e profissionais de saúde têm atuado para ampliar o acesso à informação e garantir que homens e mulheres possam decidir quando e se desejam ter filhos.
“Quando o casal tem um planejamento, tudo é mais simples: fazer o pré-natal, preparar a recepção do bebê, organizar o enxoval, pensar nos cuidados e na educação da criança. Quando não é planejado, tudo chega de repente, o que tem um impacto importante na educação e na saúde dessa criança”, afirmou a ginecologista Maria da Guia de Medeiros Garcia, da Maternidade Escola Januário Cicco da UFRN (MEJC-UFRN).
Gravidez precoce pode trazer sérias consequências
Além do fator emocional e social, a gravidez não planejada — especialmente na adolescência — está associada a complicações médicas, como anemia, infecções, eclâmpsia e até mortes materna ou neonatal. O problema também afeta o acesso à educação, renda e oportunidades de trabalho para as mães jovens, perpetuando ciclos de vulnerabilidade.
SUS oferece métodos, mas acesso ainda é desigual
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente diversos métodos contraceptivos, como pílulas, injetáveis, camisinhas e cirurgias de esterilização. No entanto, o acesso aos chamados métodos de longa duração (LARCs) ainda enfrenta barreiras, especialmente nas maternidades públicas.
“Temos limitações. Atualmente, existem dois métodos muito bons, o Implanon e o DIU Mirena, mas eles ainda não são disponibilizados aqui na maternidade”, explica a médica Maria da Guia.
A expectativa é que esse cenário comece a mudar com a recente iniciativa do Ministério da Saúde, que começou a distribuir o Implanon — implante hormonal subcutâneo com duração de três anos. O plano do governo federal é entregar 1,8 milhão de unidades até 2026, sendo 500 mil apenas em 2025.
Escolha do método é personalizada
Na Maternidade Januário Cicco, o atendimento no ambulatório de planejamento familiar é feito por encaminhamento da atenção primária, via Sisreg. A escolha do método ocorre de forma individualizada, com base no perfil da paciente.
“Explicamos os benefícios e riscos de cada método, e a paciente decide. A maior parte das pacientes que vêm ao nosso ambulatório vêm em busca de colocar o DIU de cobre”, relatou a ginecologista.
A unidade também realiza laqueaduras tubárias em mulheres com mais de 21 anos, independentemente do número de filhos, desde que haja manifestação formal com 60 dias de antecedência, inclusive em casos de pós-parto.
Planejamento familiar é chave para saúde pública
Especialistas reforçam que o acesso a métodos contraceptivos eficazes, aliado à educação em saúde, é essencial para reduzir o número de gestações não planejadas e promover autonomia reprodutiva, especialmente entre jovens.
Como parte da rede hospitalar federal, a MEJC-UFRN integra o sistema da Ebserh, estatal vinculada ao Ministério da Educação, que administra 45 hospitais universitários em todo o país, aliando atendimento à população, formação profissional e incentivo à pesquisa.
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