
Mais da metade das micro e pequenas empresas brasileiras (51%) já utilizou crédito ou empréstimos junto a instituições financeiras. O percentual é ainda maior no Nordeste (64%) e no Norte (59%). Os dados são da pesquisa Fiserv Insights 2026 – Panorama do Varejo: Tendências em Meios de Pagamento, Segurança e Crédito, realizada pela Fiserv em parceria com a Opinion Box.
No recorte nacional, a principal finalidade do crédito é capital de giro (54%), seguida por investimentos em expansão (44%) e ampliação de estoque (23%). No Norte (69%) e no Nordeste (52%), predomina a busca por recursos voltados à expansão. Já no Sul (66%), Sudeste (53%) e Centro-Oeste (60%), a prioridade é capital de giro.
Critérios para escolha da instituição
Ao escolher onde solicitar crédito ou empréstimo, as empresas apontam como principais fatores:
- 37% preferem instituições com as quais já mantêm relacionamento
- 34% buscam taxas e custos efetivos menores
- 28% valorizam facilidade e agilidade na aprovação
- 24% consideram condições flexíveis de pagamento e carência
- 18% analisam valor máximo liberado e atendimento com gerentes
- 13% priorizam suporte em canais digitais
- 10% veem como ideal a ausência de garantias
“O Norte e Nordeste vivem um momento especial no varejo. Empresas estão ampliando sua atuação, e novos empreendedores estão investindo para atender melhor os seus clientes. A Fiserv tem acompanhado isso de perto, principalmente em Fortaleza, onde recentemente apoiamos empresas na adaptação à nova regulamentação que tornou obrigatória a integração entre sistemas de pagamento e emissores de documentos fiscais eletrônicos (NF-e e NFC-e)”, explica Rodrigo Climaco, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios da Fiserv no Brasil.
Preferência por meios de pagamento
O cartão de crédito lidera como o meio mais utilizado pelos consumidores no país (56%). Em seguida aparecem:
- Pix via chave (51%)
- Pix via QR Code (35%)
- Cartão de débito (34%)
No Norte, o cartão de crédito concentra 73% da preferência. Já no Nordeste, o Pix lidera com 67% de uso nas transações.
“Os números mostram que o uso de Pix por chave, instrumento utilizado para a transferência entre pessoas, ainda é bastante alto no mercado brasileiro. Há espaço para uma maior profissionalização e transformação digital do varejo com a adoção de maquininhas ou Tap on Phone (em tablets e smartphones) e a aceitação do Pix por QR Code e por aproximação, instrumentos que inclusive facilitam a administração financeira do negócio por meio da conciliação dos pagamentos”, avalia Climaco.
Entre os meios menos utilizados estão:
- Crediário (7%)
- Click to Pay (3%)
- BNPL – Buy Now, Pay Later (3%)
O BNPL é rejeitado por 55% dos negócios. Carteiras digitais não são aceitas por 45% e o Click to Pay por 36%. “O BNPL ainda é o ‘gigante desconhecido’ para a maioria das empresas. O índice de 55% de não adoção revela que ainda existe uma lacuna de conhecimento a ser preenchida sobre como essa tecnologia se integra ao fluxo de caixa, e como o meio de pagamento pode se tornar uma camada estratégica de vendas, tão natural quanto o cartão de crédito”, afirma o executivo.
Outros meios com menor adesão são boleto bancário (24%), links de pagamento (23%) e Pix por aproximação (18%). Mesmo cartão de débito e crédito ainda não são aceitos por 15% dos estabelecimentos.
Barreiras e segurança
O custo de adesão e as taxas são apontados por 26% como principal obstáculo à adoção de novos meios de pagamento. A insegurança diante de possíveis golpes ou estornos é mencionada por 25%.
No Nordeste, 25% citam o custo como impacto relevante e 14% mencionam burocracia para aprovação. No Norte, 29% apontam dificuldade na conciliação de pagamentos e gestão de diferentes plataformas.
Quanto às medidas de segurança, as mais adotadas são:
- Backup de dados (30%)
- Controle de acesso (27%)
- Criptografia de dados sensíveis (25%)
- Uso de firewalls (25%)
- Reforço de autenticação (24%)
Apesar disso, 22% afirmam não adotar nenhuma medida interna de segurança. Em âmbito nacional, 25% dos negócios ainda não possuem gestão estruturada de segurança digital, enquanto 16% estão em fase de organização dessa área.
Dinheiro físico em queda
O levantamento indica redução do uso de dinheiro em espécie e cheques. Atualmente, 18% das empresas não recebem mais esses meios, enquanto 32% ainda aceitam de forma ocasional, priorizando pagamentos digitais.
No Norte, 73% informaram receber apenas eventualmente dinheiro ou cheques. No Nordeste, o percentual é de 33%.
A pesquisa também mostra que 27% das empresas utilizam smartphones e tablets como terminais de pagamento por meio do Tap on Phone. Embora 73% aceitem pagamentos diretamente do celular do consumidor, 44% mantêm terminais físicos como complemento.
“Os dados da Fiserv Insights 2026 – Panorama do Varejo mostram que o varejo brasileiro já está digitalizado, com o dinheiro físico praticamente em desuso. No entanto, ainda existe um enorme potencial de evolução. Além disso, o crédito desponta como um fator estratégico para compreender as prioridades de investimento em cada região, o que será decisivo para o futuro da digitalização do setor”, explica Climaco.
A pesquisa ouviu 322 empresários de micro e pequenas empresas entre 16 de setembro e 4 de outubro de 2025, com 95% de confiança. Participaram empreendedores de todas as regiões do país, majoritariamente do setor de serviços (79%), com equilíbrio entre homens (48%) e mulheres (52%).













