
O ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, afirmou nesta quarta-feira (17) que a Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, que será realizada no Brasil, deverá deixar como principal legado uma transformação sociocultural relacionada à valorização das mulheres no esporte e à ampliação da participação feminina no futebol.
A declaração foi dada durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, quando o titular da pasta apresentou ações preparatórias para o torneio, que será o primeiro Mundial Feminino realizado na América do Sul.
Segundo o ministro, o impacto mais relevante da competição não estará relacionado apenas à infraestrutura esportiva, mas à mudança de percepção sobre o futebol feminino e ao incentivo à participação de meninas e mulheres na modalidade.
“Eu garanto a todos os brasileiros e brasileiras que nós vamos fazer a melhor e a maior Copa do Mundo feminina que já teve na história. O maior legado que nós vamos ter dessa Copa não é um legado de infraestrutura física, de equipamentos do esporte, é uma mudança de visão, uma mudança sociocultural”, afirmou.
Ainda de acordo com Paulo Henrique Cordeiro, a competição será uma oportunidade para ampliar o debate sobre igualdade de gênero no esporte.
“É uma mudança de como se encara o futebol masculino e feminino, de incluir mais meninas e jovens com essa concepção de gênero, fazer com que as mulheres possam efetivamente estar no futebol”, acrescentou.
Lei Geral da Copa foi sancionada
O ministro também destacou a sanção da Lei Geral da Copa (Lei nº 15.421), considerada pelo governo um instrumento para garantir segurança jurídica e operacional à realização do torneio.
A legislação prevê medidas relacionadas à organização da competição e incorpora diretrizes voltadas à promoção da igualdade de gênero, ao combate à discriminação e ao fortalecimento do futebol feminino no país.
Preparativos já estão em andamento
Durante a entrevista, Paulo Henrique Cordeiro informou que as ações de divulgação da Copa já começaram. Entre elas está um evento previsto para o dia 24 de junho, em Miami, nos Estados Unidos, marcando a contagem regressiva de um ano para o início da competição.
“A Copa do Mundo não começa no apito inicial do primeiro jogo, ela inicia cerca de dois anos antes. Para que nós possamos ter aquele espetáculo perfeito, é necessário que nós tenhamos toda uma caminhada. E é nessa caminhada que nós estamos hoje”, disse.
Governo pretende ampliar participação de municípios
Embora a FIFA tenha definido oito cidades-sede para receber partidas da competição, o Ministério do Esporte pretende envolver outras regiões do país por meio de centros de treinamento, recepção de delegações e atividades voltadas aos torcedores.
“Nós vamos levar o futebol feminino para todos os espaços. Os estados em que as capitais não serão uma sede, nós vamos ter também outros espaços para treinamento, ou para acolhimento das torcidas e das diversas delegações que estarão chegando no Brasil”, ressaltou o ministro.
“O esporte perpassa todas as fronteiras, o esporte é uma linguagem universal. E a nossa ideia é atingir os mais de 5 mil municípios que nós temos no Brasil”, completou.
Esporte como ferramenta de inclusão
O ministro defendeu ainda o papel do esporte como instrumento de inclusão social, formação cidadã e prevenção da vulnerabilidade social entre crianças e jovens.
Segundo ele, a atual política pública do setor prioriza ações voltadas às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, consideradas áreas com maior necessidade de investimentos.
“O esporte é uma estrutura composta por várias ferramentas que promovem a inclusão social, saúde preventiva, lazer e, principalmente, a formação cidadã, garantindo que tenhamos meninos e meninas longe do crime. O foco da implantação, da implementação de políticas públicas de esporte, para a gente, são as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste”, afirmou.
Programa para crianças e adolescentes com TEA
Durante a entrevista, Paulo Henrique Cordeiro também destacou o programa TEAtivo, iniciativa voltada para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Desenvolvido em parceria com a Apae Brasil, o projeto utiliza atividades esportivas adaptadas para contribuir com o desenvolvimento motor, cognitivo, social e emocional dos participantes.
Atualmente, o programa atende:
- 1.840 estudantes na Região Nordeste;
- 1.200 famílias na Região Norte.
A proposta é ampliar a iniciativa para outras capitais brasileiras, fortalecendo ações de inclusão por meio do esporte.
“Com o programa, não só os jovens alcançam um nível de inclusão social, mas os pais e as mães, que têm a tranquilidade de ver os filhos assistidos e poder trabalhar sabendo que os meninos e meninas estão em ambiente acolhedor. E o TEAtivo também consegue diagnosticar, coisa que nem se pensou inicialmente, outros jovens que não estão entre os participantes. É um programa de alcance ímpar para o esporte e para essas pessoas que portam necessidades especiais.”, destacou o ministro.











