
A Câmara Municipal de Natal realizou, nesta terça-feira (16), uma sessão solene para homenagear mães atípicas — mulheres que exercem papel fundamental no cuidado de filhos com deficiência e na defesa de seus direitos. Na ocasião, 19 mães foram agraciadas com a Comenda Mãe Atípica Helena Fernandes, criada por proposição da vereadora Thabatta Pimenta (PSOL).
A homenagem aconteceu no contexto do Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre os direitos das pessoas com deficiência. A comenda leva o nome de Helena Fernandes, pedagoga, psicopedagoga e referência na luta pela inclusão, falecida em 2022.
“Para mim é uma felicidade, tendo em vista que estamos vivenciando também o Setembro Verde, mês da luta das pessoas com deficiência. Trazer o nome de Helena Fernandes para essa comenda é, acima de tudo, uma homenagem a uma mulher à frente do seu tempo. Helena já falava, anos atrás, da interiorização das políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência e autistas. É uma honra ter proposto essa comenda, ter sua aprovação e levar o nome dessa mulher que tanto representou essa luta em Natal e no Rio Grande do Norte”, afirmou Thabatta.
Reconhecimento e reparação

Durante a solenidade, o vereador Irapoã Nóbrega (Republicanos) destacou o caráter reparador da iniciativa, relembrando as dificuldades enfrentadas por sua própria mãe, Raimunda Nóbrega, também homenageada. Mãe de Itamar Filho, autista com nível 3 de suporte, Raimunda foi uma das fundadoras da APAARN (Associação de Pais e Amigos dos Autistas do RN), criada em 1996.
“É louvável a proposição da vereadora Thabatta Pimenta. Nos dias de hoje, o tema está muito em evidência, mas, há 30 anos, minha mãe passou por muita coisa e lutou sem ter nenhum diagnóstico. Hoje já existem tratamentos e diagnósticos, e isso faz toda a diferença. Essa sessão solene é uma forma de dar voz e de homenagear todas as mães atípicas”, declarou o vereador.
Emocionada, Raimunda Nóbrega relembrou os desafios do passado:
“Foi muito difícil. No começo, não conseguíamos nem colocar os filhos nas escolas. Fundamos a APAARN para mudar essa realidade. Lutamos muito para chegar até aqui. Durante muito tempo não fui reconhecida.”
Legado de Helena Fernandes
A homenagem também serviu para manter viva a memória de Helena Fernandes, que dá nome à honraria. Além de fundadora da APAARN, ela atuou na Subcoordenadoria de Educação Especial do RN, promoveu capacitações em Libras e contribuiu para a formulação de políticas inclusivas no estado.
Sua filha, Priscila Fernandes, recebeu a comenda em nome da mãe:
“É muito importante dar visibilidade à causa e valorizar quem sempre levantou a bandeira da inclusão. Minha mãe deixou um legado, dedicou sua vida a essa luta, muitas vezes se colocando de lado para priorizar minha irmã. Hoje, ela não está entre nós, mas permanece viva nessa causa.”
Desafios cotidianos e a luta contínua
A secretária municipal de Igualdade Racial, Direitos Humanos e Diversidade (SEMIDH), Luciana Dantas, também falou na condição de mãe atípica. Ela destacou as barreiras enfrentadas diariamente, como o preconceito e a dificuldade de acesso a serviços básicos.
“Nós enfrentamos barreiras o tempo todo. Muitas vezes encontramos dificuldades na matrícula das crianças, inclusive em escolas privadas. Muitas mães abrem mão da carreira e até do autocuidado, o que traz consequências sérias, inclusive para a saúde mental. Por isso considero a iniciativa da vereadora Thabatta fantástica e necessária. Quanto mais falarmos sobre isso, mais a sociedade vai se sensibilizar”, enfatizou.
A sessão contou ainda com a presença dos vereadores Cláudio Custódio (PP), Daniell Rendall (Republicanos), Daniel Santiago (PP), Herberth Sena (PV), Leo Souza (Republicanos), Samanda Alves (PT) e Pedro Henrique (PP).
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