
O Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LAIS/UFRN) foi convidado pela Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard a integrar a rede internacional de hubs de inovação em saúde. Com a adesão, o laboratório potiguar torna-se um dos três representantes brasileiros na iniciativa e o único da região Nordeste.
A atuação do grupo terá como foco a aplicação de Inteligência Artificial nos sistemas de saúde, especialmente nos impactos relacionados à auditoria e à economia da saúde.
Atualmente, Harvard mantém 40 hubs espalhados pelo mundo. No Brasil, além do LAIS, apenas outras duas instituições fazem parte da rede.

O que muda com o novo status
Um hub de inovação funciona como ponto de conexão entre universidades, startups, empresas e investidores, promovendo colaboração e desenvolvimento tecnológico. A partir da integração do LAIS à rede global, estão previstas atividades conjuntas, incluindo a realização de um hackathon internacional no mês de abril.
O evento será organizado em parceria com o Laboratório de Inovação em Sistemas de Saúde de Harvard e reunirá pesquisadores de diversos países em ambiente virtual. As equipes que apresentarem as melhores soluções para os desafios propostos receberão financiamento da Escola de Saúde Pública de Harvard.
Parceria construída ao longo de uma década
O convite é resultado de uma cooperação iniciada em 2016, quando o pesquisador do LAIS, Ricardo Valentim, participou como palestrante da Brasil Conference, evento promovido anualmente pela universidade norte-americana.
“Em 2016, trabalhávamos com pesquisas no âmbito do Mais Médicos e do Mais Especialidades, programas desenvolvidos no ambiente virtual de aprendizagem do SUS. Toda essa expertise nos proporcionou os primeiros contatos com Harvard e com o MIT”, explicou Valentim.
Ao longo dos últimos dez anos, as instituições mantiveram intercâmbios acadêmicos e desenvolveram pesquisas conjuntas, algumas publicadas em periódicos de referência internacional, como a revista científica The Lancet.
A articulação para que o laboratório potiguar passasse a integrar oficialmente a rede partiu principalmente de Rifat Atun, professor de Sistemas Globais de Saúde e diretor do Laboratório de Inovação em Sistemas de Saúde da Harvard T.H. Chan.
Impactos para o RN
Para Ricardo Valentim, a entrada do LAIS na rede internacional rompe barreiras acadêmicas e amplia a projeção estratégica do Rio Grande do Norte no cenário científico global.
“O nosso propósito maior é consolidar o Rio Grande do Norte como a Basílica da Inovação em Saúde do país, um centro de referência e excelência que irradia conhecimento e soluções para todo o Brasil. Ao nos tornarmos essa luz para o mundo no campo da saúde digital, garantimos que o talento potiguar permaneça no estado, gerando riqueza e, acima de tudo, salvando vidas por meio de uma ciência que é, ao mesmo tempo, profundamente local e plenamente global”, finalizou.
Segundo ele, o reconhecimento internacional pode atrair investimentos, fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e contribuir para modernizar o sistema público, com soluções capazes de reduzir filas, ampliar cobertura vacinal e otimizar recursos.
Sobre o Hackathon
O HSIL Hackathon 2026 será realizado nos dias 10 e 11 de abril, com o tema “Construindo Sistemas de Saúde de Alto Valor: Aproveitando a Inteligência Artificial”. A maratona global reúne inovadores para desenvolver protótipos e apresentar propostas com potencial de aplicação prática.
Na edição anterior, o evento contabilizou 500 equipes distribuídas em 19 centros ao redor do mundo. Além da competição, os vencedores recebem mentoria por meio do Venture Incubation Program, com suporte para amadurecimento das soluções.
Interessados em participar pelo hub do Rio Grande do Norte devem acessar a página oficial do HSIL Hackathon 2026 e selecionar a opção “Brazil – Rio Grande do Norte” no campo destinado aos centros globais.
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