
O número de mulheres que se tornam mães após os 40 anos apresentou crescimento no Brasil nos últimos anos, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Entre 2018 e 2023, enquanto o número médio de filhos por mulher caiu 13% no país, os nascimentos entre mães de 40 a 49 anos aumentaram quase 17%.
De acordo com os dados, o total de bebês nascidos de mulheres nessa faixa etária passou de 90 mil em 2018 para 106 mil em 2022. O grupo foi o único a registrar crescimento no período analisado.
Outra pesquisa do IBGE, intitulada “Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, aponta que, entre 2010 e 2022, o número de pessoas que tiveram filhos após os 40 anos aumentou 60% no país.
Segundo Gustavo Mafaldo, o cenário acompanha mudanças no perfil reprodutivo feminino e uma maior busca por planejamento da maternidade.
“Hoje existe um movimento muito maior de mulheres que desejam entender o próprio corpo e planejar a maternidade de forma consciente. Isso é extremamente positivo, porque permite identificar riscos, investigar condições de saúde e adotar medidas preventivas antes mesmo da gravidez acontecer”, explica.
O médico afirma que, embora muitas mulheres consigam engravidar naturalmente após os 35 anos, a fertilidade feminina tende a diminuir gradualmente com o avanço da idade. Além disso, algumas complicações podem se tornar mais frequentes, como hipertensão gestacional, diabetes gestacional, parto prematuro e alterações cromossômicas.
De acordo com o especialista, o planejamento reprodutivo tem papel importante para mulheres que desejam engravidar mais tarde. Entre os cuidados recomendados estão exames ginecológicos periódicos, investigação de doenças crônicas, atualização vacinal, acompanhamento nutricional e adoção de hábitos saudáveis.
“A medicina evoluiu muito e hoje conseguimos acompanhar essas gestações com bastante segurança. O mais importante é que essa mulher tenha acesso à informação e ao acompanhamento adequado desde o planejamento”, destaca Gustavo Mafaldo.
O ginecologista também cita o congelamento de óvulos como uma alternativa cada vez mais discutida entre mulheres que desejam postergar a maternidade sem abrir mão da possibilidade de uma futura gestação.
“A idade não deve ser encarada como uma sentença, mas ela precisa ser considerada no planejamento. Quanto mais cedo essa mulher busca orientação, maiores são as possibilidades de conduzir uma gravidez saudável e tranquila”, finaliza o ginecologista.











