
Em 2021, abraçamos o Vôlei Funvic, que, após o rompimento da parceria com a prefeitura de Taubaté (SP), transferiu-se para Natal, na tentativa de manter o projeto vencedor em atividade. Naquele ano, no entanto, o projeto ainda enfrentava muitas dificuldades, entre elas, jogadores quebrando contrato e fechando com outros times. Isso ocorreu porque o rompimento do até então Vôlei Taubaté se deu por questões financeiras, após atrasos de salários e outras dívidas virem à tona.
Além disso, a mudança drástica de sair de São Paulo para o Rio Grande do Norte, no Nordeste, também pode ter sido um fator importante. O time era, naquele momento, a única equipe da elite brasileira a representar o Norte-Nordeste. Essa mudança, é claro, demandava viagens mais longas entre um jogo e outro, uma vez que o epicentro do vôlei não estava aqui, mas sim no eixo Sul-Sudeste. Qualquer outra equipe que ouse chegar à elite terá que enfrentar as oportunidades e os benefícios dos times do epicentro brasileiro do vôlei.
Apesar das adversidades, o time conseguiu, naquela temporada, se manter entre os oito melhores colocados e ir aos playoffs da temporada 2021/22. Entre altos e baixos, conseguiu acumular mais de 30 pontos na Superliga naquele ano. Uma das maiores infelicidades da equipe foi ter iniciado a temporada em um local diferente, sem o calor humano a empurrar a equipe nos primeiros jogos, como foi mencionado por Riad, um dos jogadores mais experientes da equipe naquele momento, em decorrência da pandemia de coronavírus.

Alguns jogos foram realizados sem torcida, e o ginásio utilizado nos primeiros jogos – Ginásio Nélio Dias, na Zona Norte de Natal, que possui capacidade para 10 mil torcedores e que no início da temporada foi a sede da equipe – parecia maior do que realmente era. A dúvida era: o público faria alguma diferença naquele momento? Talvez.
Após passar para os playoffs, o Funvic Educacoin Natal foi superado pelo grandioso Minas em Natal, em partida de quartas de final da competição, em um ginásio que, desta vez, estava lotado, – desta vez, no Palácio dos Esportes – no final da temporada e após o período de quarentena. Era certo que o líbero e capitão da equipe, Thales Hoss (também atleta da seleção brasileira), e o ponteiro cubano Luis Elián seriam os primeiros a deixar a equipe após os problemas enfrentados. E, de fato, após a temporada de 2021/22, o Vôlei Funvic nunca mais entrou em quadra. Notícia alguma foi dada. Apenas… deixou de existir.
A temporada do Funvic Educacoin Natal não foi frustrante, mesmo com todos os problemas enfrentados, mas aparentemente a única coisa que importava era o resultado e não todo o processo.
Vôlei Desportivo Natal

Pensando agora na situação do vôlei potiguar atualmente, temos a situação do Vôlei Desportivo Natal, que parece a mais favorável possível, mesmo com o rebaixamento antecipado nesta temporada 2024/25. A equipe feminina acumulou apenas seis pontos em um total de 13 partidas disputadas, alcançando a 12ª colocação na tabela, entre 14 equipes disputando a Superliga B. No entanto, o Vôlei Desportivo tem como maior objetivo ser um time formador de atletas. Com isso, o resultado, apesar de importante, não se torna mais significativo que o processo de amadurecimento das atletas da equipe.
Mesmo com o rebaixamento, a expectativa é que o representante do vôlei potiguar feminino continue dando rodagem e frutos no projeto Desportivo Rio Grande nas quadras, retornando à Superliga C para tentar mais uma vez o acesso à Superliga B, como foi conquistado em outubro de 2024.
América/SSC

Antes conhecido como Vôlei Natal Shiro Saigo, o América/SSC, assim como o Vôlei Desportivo, conseguiu o acesso à Superliga B na temporada 2023/24. A equipe é relativamente nova, mas veio forte para conquistar resultados. A equipe teve tudo, menos sorte.
A equipe potiguar foi rebaixada por set average, pois tinha a mesma quantidade de pontos e vitórias que o último colocado para os playoffs desta temporada. O América conquistou 17 pontos em 13 partidas disputadas, acumulando cinco vitórias e oito derrotas. Vale ressaltar que a equipe só foi rebaixada porque dependia de resultados de outros jogos para se classificar. O sonho dos playoffs foi frustrado nos últimos minutos da última partida da temporada. A equipe potiguar, que ganhou os dois primeiros sets, foi superada pelo Apade Vôlei e sofreu uma virada que significou a frustração de um desejo e o peso de uma derrota.
Após o resultado, pouco se sabe sobre a continuidade do projeto. A especulação, no entanto, remete ao ocorrido após a derrota do Funvic Educacoin Natal para o Minas naquela partida de quartas de final, onde os torcedores se questionavam e perguntavam aos atletas e profissionais da comissão, ainda nas arquibancadas, se o projeto continuaria a existir e representar o Rio Grande do Norte nas quadras do Brasil.
Sabe-se que os atletas do América já estão realizando seus projetos pessoais e que, de acordo com o Volleybox, até o momento, não há nenhum atleta ou membro de comissão confirmado para o projeto na temporada que se inicia em novembro com a Superliga C.
A pergunta continua: o projeto permanecerá? Honestamente, torceremos para que sim.
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