
Uma pesquisa divulgada pela Lifeway Research indica que a inteligência artificial passou a integrar o debate em igrejas protestantes, com 61% dos frequentadores demonstrando preocupação com os impactos da tecnologia no cristianismo. Entre evangélicos, o índice chega a 67%, enquanto entre não evangélicos é de 55%.
O levantamento mostra que comunidades com maior ênfase doutrinária tendem a apresentar maior cautela. Entre denominações, presbiterianos e reformados registram 64% de preocupação, seguidos por batistas, com 62%, enquanto metodistas apresentam 48%.
A pesquisa também identificou diferenças por perfil. Entre homens, 31% afirmam não ter receios em relação à inteligência artificial, contra 25% entre mulheres. No recorte por idade, o debate sobre o tema nos púlpitos encontra maior aceitação entre os mais jovens: 50% dos entrevistados entre 18 e 29 anos consideram útil abordar o assunto em sermões, percentual que sobe para 53% na faixa de 30 a 49 anos. Já entre pessoas de 50 a 64 anos, o índice é de 38%, e entre os com 65 anos ou mais, 33%.
O uso da inteligência artificial nos sermões divide opiniões. Enquanto 42% defendem a abordagem sob uma perspectiva bíblica, 43% discordam, evidenciando um cenário de equilíbrio e ausência de consenso.
Entre pastores, a adoção da tecnologia ainda é limitada, embora em expansão. Segundo o estudo:
- 10% utilizam inteligência artificial regularmente;
- 32% afirmam estar testando a ferramenta;
- 18% aguardam evidências de utilidade;
- 18% evitam o uso;
- 20% dizem ignorar completamente a tecnologia.
O perfil de adoção varia conforme idade, localização e formação acadêmica. Entre líderes com 65 anos ou mais, apenas 4% utilizam a tecnologia de forma regular. Em áreas rurais, 27% afirmam ignorar a inteligência artificial, contra 18% em áreas urbanas. Já entre pastores sem ensino superior, 5% utilizam a ferramenta regularmente, percentual que chega a 14% entre aqueles com doutorado.
Independentemente do nível de uso, as preocupações são amplas. De acordo com o levantamento:
- 84% afirmam que conteúdos gerados por IA podem conter erros;
- 81% relatam dificuldade em verificar a confiabilidade das fontes;
- 76% mencionam risco de vieses nos sistemas;
- 62% apontam falta de transparência;
- 59% citam possibilidade de plágio;
- 55% defendem que a comunicação espiritual deve ocorrer por meio de pessoas.
Realizado em setembro de 2025, o estudo ouviu 1.003 pastores e 1.200 frequentadores de igrejas, com margens de erro de 3,3 e 3,2 pontos percentuais, respectivamente. Os dados indicam que, embora a inteligência artificial já esteja presente nas discussões religiosas, sua incorporação prática ainda ocorre de forma gradual, marcada por interesse e cautela.













