
A petrolífera americana North American Blue Energy Partners (NABEP) assumirá o controle operacional de campos de petróleo na Venezuela que anteriormente estavam ligados a empresas chinesas e a uma companhia russa. A operação integra um acordo mais amplo de produção de petróleo anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo informações de dois funcionários americanos ouvidos pela Reuters nesta segunda-feira (31).
A NABEP está entre as empresas que receberam 14 novos contratos do governo venezuelano. A companhia, anteriormente pertencente ao empresário americano Harry Sargeant, é atualmente controlada pelo empresário venezuelano Alejandro Betancourt.
“A Venezuela é abençoada com abundância de recursos naturais, pessoas trabalhadoras e um potencial inexplorado”, disse Betancourt em um comunicado, confirmando o acordo. “Esta transação liberará esse potencial para o grande benefício tanto dos venezuelanos quanto dos americanos.”
Segundo as informações divulgadas, a NABEP deverá administrar 17 projetos petrolíferos na Venezuela. A empresa pretende desenvolver os campos e direcionar parte da produção ao mercado americano.
Participação dos Estados Unidos
O acordo prevê uma participação direta do governo americano na estrutura da NABEP. A empresa informou que terá o controle operacional dos negócios, enquanto o governo dos Estados Unidos terá direito a 35% de participação na companhia.
Além disso, os EUA terão “acesso preferencial” a 20% da produção da NABEP pelo preço de custo. A Casa Branca informou ainda que o Departamento de Estado americano terá direito de preferência na aquisição dos 80% restantes da produção.
O governo dos Estados Unidos também terá poder de veto sobre o conselho e os diretores da empresa. A maioria dos integrantes do conselho deverá ser formada por cidadãos americanos.
Na semana passada, Trump afirmou que os Estados Unidos haviam garantido acesso a aproximadamente 64 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela por meio de uma parceria com empresas privadas.
Campos ligados a empresas chinesas e russas
Dos 14 projetos concedidos recentemente à NABEP, cinco eram operados por empresas chinesas e um estava sob operação de uma companhia russa, de acordo com as autoridades americanas.
Entre os empreendimentos estavam:
- Dois projetos operados pela China Concord Resources, empresa sancionada pelos Estados Unidos em 2019 por atividades relacionadas ao Irã;
- Um projeto operado pela Sinopec;
- Um projeto operado pela China National Petroleum Corp;
- Dois projetos ligados a empresas afiliadas de Alex Saab, antigo aliado do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e atualmente sob custódia dos Estados Unidos;
- Um campo relacionado a um sobrinho da esposa de Maduro, Cilia Flores.
“Não estamos apenas abrindo novas oportunidades para o governo dos EUA e para as empresas petrolíferas americanas, mas também estamos abrindo os Estados Unidos como mercado para esse petróleo que antes era enviado para a China”, disse o funcionário.
A mudança amplia a presença de empresas americanas em ativos estratégicos da indústria petrolífera venezuelana e reduz o espaço ocupado por interesses chineses e russos no setor.
Produção destinada aos Estados Unidos
Trump afirmou na manhã de segunda-feira que os Estados Unidos estavam retirando “milhões e milhões de barris de petróleo” da Venezuela, com cargas destinadas a refinarias em estados como Texas e Louisiana.
O presidente americano tem defendido a ampliação da exploração das reservas venezuelanas e a aproximação do setor petrolífero do país com empresas e consumidores dos Estados Unidos.
Além das questões econômicas, o governo americano relaciona a reorganização do setor petrolífero a uma possível transição política na Venezuela.
Negociações políticas
Autoridades americanas informaram que representantes do governo interino venezuelano e integrantes da Assembleia Nacional eleita em 2015 mantêm conversas sobre a restauração de uma estrutura mínima de ordem constitucional e sobre questões jurídicas relacionadas à transição política.
O governo Trump considera a Assembleia Nacional de 2015 como o último órgão legislativo venezuelano eleito e em funcionamento sob a Constituição do país, embora o grupo não exerça atualmente autoridade formal de governo.
Segundo um funcionário americano, um eventual entendimento com a Assembleia de 2015 poderia oferecer uma base constitucional e jurídica para uma transição mais ampla, incluindo medidas econômicas voltadas à recuperação da indústria petrolífera venezuelana.













