
A Polícia Federal (PF) apura, no âmbito da Operação Mederi, a suspeita de que o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), possa ter recebido mais de R$ 2,2 milhões em propina em contratos firmados entre a Prefeitura e a empresa Dismed. O valor estimado decorre da aplicação de um percentual de 15% sobre os pagamentos realizados no período de 2022 a 2025, conforme relatório da investigação.
O percentual de 15% foi identificado a partir de conversas gravadas entre proprietários das empresas investigadas. Os diálogos detalham a divisão de um pagamento de R$ 400 mil, dos quais R$ 200 mil seriam destinados à entrega efetiva de medicamentos e outros R$ 200 mil repartidos entre os envolvidos. Segundo a PF, Allyson Bezerra teria recebido R$ 60 mil, quantia correspondente aos 15%, conforme descrito nos autos.
Caso esse mesmo percentual tenha sido adotado ao longo de todos os contratos firmados entre a Prefeitura de Mossoró e a Dismed, a estimativa apresentada pela Polícia Federal aponta que o prefeito poderia ter recebido R$ 2.231.645,78 dos R$ 14.877.638,59 pagos à empresa no período analisado.
As investigações indicam ainda que o volume total de recursos destinados a propinas pode ser maior. Nas conversas interceptadas, a PF identificou a destinação de 10% dos valores para uma pessoa identificada como “Fátima”, o que representaria R$ 1.487.763,85. Somados, os valores atribuídos a Allyson Bezerra e a “Fátima” alcançariam R$ 3.719.409,63, considerando apenas os repasses à Dismed.
O montante apurado refere-se a somente uma das três empresas investigadas na Operação Mederi. A Prefeitura de Mossoró também manteve contratos com ao menos outra empresa sob investigação, a Drogaria Mais Saúde Sociedade Empresarial LTDA.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Allyson Bezerra negou qualquer envolvimento com as irregularidades apuradas, referindo-se ao caso como um “erro”.
*Com informações do Diário do RN.













