
O PP e o União Brasil oficializaram nesta terça-feira (19) a criação da federação União Progressista. A nova aliança nasce como a maior força partidária do Congresso Nacional, mas já no lançamento ficou evidente a divisão interna sobre como se posicionar em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante o evento, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a federação não tem caráter de oposição ou apoio direto ao Executivo. Em contrapartida, os presidentes nacionais do União Brasil, Antônio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira, reforçaram o tom oposicionista.
A cerimônia reuniu governadores críticos ao governo, como Tarcísio de Freitas (Republicanos, SP), Ibaneis Rocha (MDB, DF) e Ronaldo Caiado (União, GO). Também houve manifestações de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Do Rio Grande do Norte, marcaram presença os dirigentes José Agripino Maia (União) e João Maia (PP), além dos deputados federais Benes Leocádio (União) e Robinson Faria (PP). Prefeitos potiguares também participaram, entre eles Paulinho Freire (Natal) e Allyson Bezerra (Mossoró). A deputada Carla Dickson, em processo de saída do União para o PL, não compareceu.
Criado pelo Congresso Nacional em 2021, o modelo de federações determina que partidos atuem como uma única legenda por pelo menos quatro anos. Com isso, até 2026, PP e União Brasil estarão unidos em todas as instâncias.
A União Progressista passa a deter:
- 109 deputados federais;
- 15 senadores (com a chegada da senadora Margareth Buzetti ao PP);
- 1.335 prefeitos, incluindo 48 no Rio Grande do Norte;
- a maior fatia dos recursos públicos para campanhas eleitorais, que pode chegar a quase R$ 1 bilhão, com base nos valores de 2024.
Apesar da força numérica, a federação enfrenta divergências. Enquanto Ciro Nogueira defende que o grupo seja uma “oposição conservadora” e Ronaldo Caiado cobra o rompimento com o governo, Alcolumbre sustenta que a aliança não se define por oposição ou situação. “Foi um movimento de política com ‘P’ maiúsculo com o olhar voltado para o futuro do Brasil”, disse o senador.
O evento em Brasília contou ainda com ministros das duas legendas, André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo), além do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do ex-ministro Ciro Gomes (PDT). Nenhum representante do PT esteve presente.












