
O Ministério da Fazenda revisou nesta sexta-feira (13) a estimativa de inflação para 2026, após a volatilidade do mercado internacional de petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), o IPCA deve encerrar o próximo ano em 3,7%, ante a projeção anterior de 3,6%.
Apesar da atualização, a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 2,3%. O governo informou que a alteração se deve principalmente ao aumento do preço do petróleo, que elevou as expectativas de custos de combustíveis no Brasil.
Petróleo e câmbio
A SPE ajustou a estimativa do preço médio do barril de petróleo para US$ 73,09 em 2026, frente aos US$ 65,97 anteriores, alta de cerca de 10,8%. Parte desse aumento — entre 20% e 30% — deve ser repassada ao consumidor final nos preços dos combustíveis.
Por outro lado, a valorização do real frente ao dólar contribui para atenuar a pressão inflacionária, com previsão de cotação média da moeda americana em R$ 5,32, ante os R$ 5,43 anteriores. Segundo a SPE:
- Cada alta de 1% no preço do petróleo pode elevar o IPCA em 0,02 ponto percentual;
- Cada apreciação de 1% do real frente ao dólar pode reduzir a inflação em 0,06 ponto percentual.
- Além do IPCA, outros indicadores também sofreram ajustes:
- INPC: de 3,7% para 3,8%;
- IGP-DI: de 4,6% para 4,9%, indicador mais sensível ao petróleo por incluir itens do atacado, como derivados e fertilizantes.
Impacto no crescimento econômico
Mesmo com o aumento dos preços internacionais, o PIB deve crescer 2,3% em 2026. Segundo a equipe econômica, a valorização do petróleo tende a estimular a economia brasileira, já que o país se tornou exportador líquido de petróleo e derivados.
Entre os efeitos positivos, estão:
- Ampliação do superávit comercial;
- Aumento na arrecadação de royalties e tributos do setor;
- Impulso à atividade extrativa e setores correlatos.
Em cenários mais extremos, incluindo uma guerra prolongada envolvendo o Irã, o PIB poderia subir até 0,36 ponto percentual, enquanto a inflação poderia aumentar 0,58 ponto percentual, e a arrecadação federal poderia atingir R$ 96,6 bilhões, segundo o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello.
Setores da economia
As projeções setoriais para 2026 sofreram pequenas alterações:
- Agropecuária: 1,2%;
- Indústria: 2,2%;
- Serviços: 2,4%.
A equipe econômica explicou que o desempenho industrial de 2025 ficou abaixo do esperado, reduzindo o chamado “carregamento estatístico” para 2026.
Medidas do governo
As projeções ainda não incluem medidas anunciadas para reduzir o impacto da alta dos combustíveis, como:
- Redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel;
- Subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores;
- Criação de imposto sobre exportação de petróleo.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou: “O foco no diesel ocorre porque o combustível tem forte impacto sobre a inflação, já que é amplamente utilizado no transporte de cargas e no escoamento da produção agrícola.”
Segundo o governo, as medidas podem evitar que o preço do diesel suba R$ 0,64 por litro nas bombas, mesmo após o recente aumento de R$ 0,38 anunciado pela Petrobras nas distribuidoras.
*Com Informações de Agência Brasil
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