
A seca que atinge a maior parte dos 167 municípios do Rio Grande do Norte tem levado prefeitos a procurar apoio na Assembleia Legislativa para enfrentar a escassez de água que afeta áreas urbanas e rurais. A situação preocupa gestores e comunidades diante do risco de colapso no abastecimento.
Nos últimos dias, deputados estaduais receberam caravanas de prefeitos em seus gabinetes. Mesmo após a visita do ministro Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e da governadora Fátima Bezerra (PT) ao Seridó, quando foi aberta a comporta da barragem de Oiticica com águas da transposição do rio São Francisco, os relatos de dificuldades continuam.
O presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira (PSDB), reuniu-se com representantes de Taipu, no Mato Grande, que pediram perfuração e instalação de poços tubulares em comunidades como Queimadas, Umarizeira, Jerusalém, Paraguai e Riacho. “Água é vida e prioridade. Estamos empenhados em apoiar os municípios para que as famílias do interior tenham acesso a um recurso tão essencial”, afirmou.
Outra demanda partiu de Ouro Branco, onde a principal reivindicação foi a ligação de dois poços já perfurados ao sistema adutor da cidade. Segundo Ferreira, a medida poderia triplicar a vazão de água e reduzir o rodízio, que atualmente chega a 10 dias. O presidente da Caern, Sérgio Rodrigues, garantiu avaliar a proposta. “A primeira coisa que precisamos ver é a viabilidade, os custos e a vida útil dessa obra. De antemão, nos colocamos à disposição para tentar minimizar e, quem sabe, solucionar o problema”, disse, estimando prazo de 90 dias para conclusão.
O prefeito de Acari, Fernandinho Bezerra, falou em nome dos gestores. “Água é vida e a situação dos municípios não é fácil. Já estamos sentindo as dores de não ter água suficiente e saber que não estamos sozinhos é revigorante”, declarou.
O deputado estadual Vivaldo Costa (PV) também tem alertado sobre a “seca verde”, que atinge regiões como Seridó, Trairi, Alto e Médio Oeste. “É uma seca braba. Nem houve pastagem para o gado, nem colheita para a agricultura familiar. O sertanejo vive hoje enormes dificuldades de subsistência”, destacou.
Já o deputado Ubaldo Fernandes (PSDB) lembrou que a Defesa Civil Nacional reconheceu situação de emergência em 75 municípios potiguares. Ele defendeu que o governo estadual avalie ampliar a medida para todo o território potiguar. “O decreto vai permitir que ações emergenciais e rápidas cheguem àquelas pessoas que estão sem água”, disse. Fernandes reforçou ainda a necessidade de medidas estruturantes. “Não podemos ficar apenas nas ações emergenciais, e sim avançar com medidas definitivas que amenizem essa situação. A segurança hídrica do nosso Estado passa diretamente pelas nossas ações”, completou.













