
O PACHA (Participatory Analytics for Climate-Health Adaptation in Disadvantaged Urban Communities in Brazil) dá início a uma ampla investigação sobre como as mudanças climáticas interferem na saúde e no bem-estar de populações urbanas vulneráveis em diferentes regiões do país. A iniciativa reúne instituições brasileiras e estrangeiras e busca produzir dados que auxiliem gestores públicos na formulação de políticas de adaptação climática.
Coordenado globalmente pela Universidade de Glasgow, no Reino Unido, o projeto forma um consórcio composto pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). O financiamento ultrapassa R$ 14 milhões, provenientes da fundação britânica Wellcome Trust, dedicada ao incentivo à pesquisa em saúde. Desse total, R$ 2,4 milhões são destinados ao Rio Grande do Norte.
O escopo do PACHA contempla uma série de riscos associados às mudanças no clima, incluindo eventos extremos, como ondas de calor e enchentes, além de doenças infecciosas, problemas respiratórios, agravos por vetores e possíveis efeitos sobre a saúde mental. A proposta é integrar dados climáticos e informações de saúde para mapear vulnerabilidades e converter evidências em ações públicas e estratégias de adaptação.
No Rio Grande do Norte, o projeto será conduzido pelo professor Járvis Campos, do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDem/UFRN), com participação dos pesquisadores Karina Meira e Marcos Gonzaga (PPGDem/UFRN), Cláudio Moisés Santos e Silva (DCAC/UFRN) e Mozart Fazito (DETUR/UFRN). As atividades locais se conectam à metodologia dos Participatory Urban Living Labs (PULLs), criada pela Universidade de Glasgow, que promove diagnósticos e soluções construídos de forma colaborativa entre moradores, pesquisadores e gestores públicos.
A atuação do PACHA também prevê debates, oficinas, encontros comunitários, rodas de cocriação e espaços de escuta com os municípios participantes, fortalecendo a participação social na construção de políticas voltadas às desigualdades ambientais e urbanas. A expectativa é que o projeto contribua para preencher lacunas de informação sobre os impactos das mudanças climáticas em populações marginalizadas e ofereça subsídios para planejamentos urbanos e sanitários mais sensíveis às desigualdades ambientais.
O lançamento nacional do PACHA ocorre nesta quinta-feira (4), às 13h, no Auditório Otto de Brito Guerra, na Reitoria da UFRN, em Natal, com palestra do coordenador global do projeto, professor João Porto de Albuquerque, além de mesas de discussão com gestores e pesquisadores.















