
A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), registrou um boletim de ocorrência neste domingo (30) após a circulação de cartazes com ataques pessoais e referências à morte do marido, o empresário Fernando Lucena, no Recife. O principal adversário de Lyra na disputa, João Campos (PSB), repudiou o material e afirmou que pretende recorrer à Justiça para identificar os responsáveis.
Uma das peças afirma que a governadora teria “matado o marido para ganhar a eleição”. No boletim de ocorrência, Raquel afirmou que os cartazes a associam de “forma odiosa à morte do marido”.
Fernando Lucena morreu em 2 de outubro de 2022, data do primeiro turno das eleições estaduais. Segundo os relatos divulgados à época, ele sofreu um mal súbito e morreu após um infarto.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Raquel afirmou ter visto imagens dos cartazes enquanto cumpria agenda de campanha na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Ela classificou o material como uma manifestação de ódio e pediu respeito à família.
“Respeite minha família, respeite meus filhos, respeite quem não está mais aqui, respeite minha dor”, afirmou.
A governadora também declarou que os ataques, que inicialmente circularam pelas redes sociais, chegaram às ruas do Centro do Recife.
“Os ataques de ódio, que começaram nas redes sociais, agora ganharam as ruas do Centro do Recife. Vamos seguir em frente. Sem medo e sem baixar a cabeça”, afirmou.
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João Campos repudia cartazes
João Campos, principal adversário de Raquel Lyra na eleição para o governo estadual, também se manifestou contra o material. O candidato negou qualquer relação com os cartazes e afirmou que qualquer tentativa de vincular as peças à sua campanha será levada à Justiça.
“Esses panfletos apócrifos que estão circulando hoje são um completo absurdo”, declarou Campos.
O candidato também mencionou a morte do pai, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, durante uma campanha eleitoral, e comparou a experiência com a perda enfrentada por Raquel.
“Eu perdi meu pai durante uma eleição. A candidata Raquel perdeu o marido durante uma eleição. Nós sabemos a dor que isso representa para uma família. Por isso, não admito que a minha família, a família dela ou a família de qualquer pessoa seja atacada ou utilizada como instrumento de disputa eleitoral. Isso ultrapassa qualquer limite da política. Isso é desumano e inaceitável”, afirmou.
Campos disse ainda que pretende acionar a Justiça para identificar quem produziu, financiou e distribuiu o material.
Também candidato ao governo de Pernambuco, Ivan Moraes (PSOL) manifestou solidariedade a Raquel e defendeu a identificação dos responsáveis pelos cartazes.
Episódio ocorre após decisão do TRE-PE
A circulação dos cartazes ocorreu um dia depois de o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinar a retirada de publicações nas redes sociais que apresentavam como comprovada a existência de um suposto “gabinete do ódio” no governo de Raquel Lyra.
Na decisão liminar, o tribunal apontou que não havia comprovação da existência de uma estrutura destinada a promover ataques contra João Campos. A determinação estabeleceu prazo de 24 horas para a remoção dos conteúdos, sob multa diária de R$ 15 mil.
A decisão também determinou que o Instagram forneça informações que possam contribuir para a identificação dos responsáveis pelos perfis relacionados às publicações.
Até o momento, não foi esclarecida a autoria dos cartazes espalhados pelo Recife.













