
A Receita Federal emitiu um alerta nacional após identificar a disseminação de um golpe que utiliza dados reais de contribuintes, como nome, CPF e endereço, para simular cobranças em nome do Fisco. As tentativas de fraude ocorrem principalmente por meio de mensagens enviadas via WhatsApp, SMS e e-mail, segundo o órgão.
De acordo com a Receita, os criminosos criam páginas falsas que reproduzem o visual do Portal Gov.br, com uso de cores, brasões e formatação semelhantes aos oficiais. Para dar aparência de legitimidade, as mensagens incluem informações verdadeiras obtidas ilegalmente, geralmente a partir de vazamentos de grandes bases de dados. A prática já levou diversos contribuintes a buscar esclarecimentos em unidades de atendimento em todo o país.
Para o contador Daniel Carvalho, o diferencial desse golpe é o grau de elaboração. “Os criminosos têm acesso a dados verdadeiros e montam páginas visualmente muito próximas do que o contribuinte está habituado a ver no Gov.br”, afirma. Segundo ele, o risco de engano é real. “Eu mesmo fui alvo de uma tentativa e sei que qualquer pessoa pode ser enganada se não estiver muito atenta”, alerta o diretor da Rui Cadete Consultores Associados.
O golpe surge em um período considerado sensível, marcado por dúvidas sobre mudanças recentes no Imposto de Renda e pelo aumento do volume de recursos em circulação em dezembro, impulsionado pelo pagamento do 13º salário. “É justamente nesse período que os golpistas aproveitam para testar novas estratégias e alcançar um número maior de pessoas”, observa Daniel.

Receita não envia mensagens
A Receita Federal reforça que não envia cobranças por aplicativos de mensagem, e-mail ou links externos. Pendências legítimas são informadas exclusivamente por meio do e-CAC, o Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte, acessado apenas no site oficial.
Outro ponto de atenção é o endereço eletrônico: páginas fraudulentas não utilizam o domínio gov.br, um dos principais indícios de tentativa de golpe.
Entre os sinais mais comuns das fraudes estão:
- mensagens com tom de urgência;
- ameaças de bloqueio de CPF ou de contas bancárias;
- “ofertas de desconto” para pagamento imediato.
Daniel recomenda cautela. “Em caso de dúvida, nunca clique no link. Entre manualmente no site da Receita, consulte o e-CAC e, se necessário, procure seu contador”, orienta.













