
O Governo do Rio Grande do Norte e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram, nesta segunda-feira (8), o contrato para a estruturação do primeiro módulo do Porto-Indústria Verde do RN, empreendimento planejado para ser instalado em Caiçara do Norte, na região do Mato Grande. O acordo marca o início da fase de elaboração dos estudos e da modelagem que irão subsidiar a futura Parceria Público-Privada (PPP) do projeto.
Com a assinatura do contrato, o BNDES dará andamento à contratação de consultorias especializadas responsáveis pela elaboração dos estudos técnicos, modelagem financeira e preparação do edital para seleção do parceiro privado que participará da implantação do complexo.
O Porto-Indústria Verde é projetado para atuar como plataforma de exportação de hidrogênio verde, e-metanol e combustível sustentável de aviação (SAF), integrando a estratégia de desenvolvimento da cadeia de energias renováveis no Rio Grande do Norte.
A previsão é que os estudos técnicos tenham início no próximo mês. O trabalho incluirá diagnóstico das condições locais, prospecção de mercado e análise da competitividade logística do empreendimento. A expectativa é que a versão final do projeto seja apresentada em aproximadamente oito meses, por volta de março de 2027. A seleção do investidor privado está prevista para ocorrer até dezembro do mesmo ano.
Durante a solenidade, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, destacou o potencial do estado no setor de energias renováveis.
“É um projeto que compreende que o mundo está mudando, que a economia energética já está em curso e que o Nordeste não pode, de maneira nenhuma, assistir a essas transformações. O Rio Grande do Norte tem todas as condições de ser o protagonista desse novo desafio que o mundo vive”, destacou a governadora.
Segundo dados apresentados pelo governo estadual, o Rio Grande do Norte possui 436 empreendimentos ligados ao setor energético, abrangendo atividades eólicas, solares, híbridas e elétricas. Entre os 957 parques eólicos em operação no Brasil, 316 estão instalados no estado.
O diretor de Planejamento e Estruturação de Projetos do BNDES, Nelson Barbosa, afirmou que a próxima etapa será a contratação das consultorias responsáveis pelo detalhamento do projeto, cuja concepção inicial teve como base estudos desenvolvidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
“É um projeto que vai gerar muita renda e empregos sustentáveis, principalmente em novas tecnologias limpas. Esse porto pode ser e tende a ser o principal centro de operações das usinas offshore. Ele vai ser o que Macaé é para a indústria de petróleo no Rio; vai ser a indústria de offshores aqui no Nordeste. Ele vai testar as turbinas e vai servir como ponto de abastecimento das embarcações que vão fazer a manutenção das eólicas offshores”, ressaltou o diretor.
O planejamento do complexo foi dividido em três etapas. A primeira prevê investimentos de R$ 3,1 bilhões em infraestrutura portuária, incluindo dragagem, construção de cais e áreas logísticas voltadas à mineração e ao suporte da energia eólica offshore. A segunda fase contempla aportes de R$ 2,1 bilhões destinados à expansão industrial verde, com instalações voltadas ao armazenamento e movimentação de hidrogênio verde e amônia. A etapa final será voltada à consolidação e diversificação das operações do complexo.
De acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Lahyre Rosado, estudos de viabilidade técnica e econômica já foram realizados pelo governo estadual em parceria com a UFRN.
“A partir de agora, o BNDES vai assinar o projeto e, com ele pronto, vamos buscar o investimento. São cerca de 10 anos até a efetivação desse projeto, e a expectativa é de geração de 50 mil empregos. Isso vai mudar a realidade do Mato Grande e de todo o RN”, concluiu.











