
O Governo do Rio Grande do Norte instituiu um comitê de acompanhamento para monitorar os casos de intoxicação por ciguatera e coordenar medidas de enfrentamento à doença. A decisão foi tomada durante reunião realizada nesta segunda-feira (20), na Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape), com participação de representantes da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e de entidades ligadas ao setor pesqueiro.
Segundo dados da Sesap, o estado registrou 141 casos de intoxicação por ciguatera no primeiro semestre de 2026, um aumento de 60,2% em relação a todo o ano de 2025, quando foram contabilizadas 88 ocorrências.
A subsecretária estadual da Pesca, Erilânia Marreiro, afirmou que o objetivo do encontro foi integrar os órgãos envolvidos para ampliar as estratégias de enfrentamento da doença.
“A gente tem buscado avançar no diálogo para garantir saídas e mitigar esse problema relacionado à ciguatera, que é um problema de saúde pública”.
Segundo a gestora, a principal medida definida foi a criação de um comitê permanente para acompanhar a evolução dos casos.
“Essa reunião foi chamada para entender quais passos nós podemos dar. De encaminhamento, nós tiramos a criação de um comitê de acompanhamento da ciguatera para garantir ações coordenadas entre os órgãos”.
Casos e espécies associadas
Dados da Sesap apontam que, desde 2022, o Rio Grande do Norte contabilizou 259 casos confirmados de intoxicação por ciguatera, distribuídos em 46 surtos, além de duas mortes relacionadas à doença.
As espécies de peixes mais frequentemente associadas aos casos registrados no estado são:
- Arabaiana;
- Bicuda (barracuda);
- Cioba;
- Dourado;
- Galo-do-alto;
- Pargo-preto;
- Pescada-branca;
- Robalo;
- Sirigado;
- Badejo.
Ainda conforme a Secretaria de Saúde, 64% dos surtos ocorreram após o consumo de pescado em ambiente doméstico, enquanto 36% foram relacionados a refeições realizadas em restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.
Sintomas
Os primeiros sintomas da ciguatera costumam ser gastrointestinais e podem surgir entre poucos minutos e até 48 horas após o consumo do peixe.
Entre os principais sinais estão:
- Dor abdominal;
- Náuseas;
- Vômitos;
- Diarreia.
Também são frequentes manifestações neurológicas, que podem persistir por longos períodos, como:
- Coceira intensa;
- Dores no corpo;
- Gosto metálico na boca;
- Dormência na língua e nas extremidades;
- Inversão térmica (sensação de frio ao tocar objetos quentes e vice-versa);
- Fadiga;
- Fraqueza;
- Tontura;
- Dor de cabeça.
Nos casos mais graves, podem ocorrer hipotensão (queda da pressão arterial) e bradicardia (redução dos batimentos cardíacos).
Recomendações da Sesap
A Secretaria de Estado da Saúde orienta que a população adote os seguintes cuidados:
- Procurar imediatamente uma unidade de saúde ao apresentar sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas;
- Identificar a espécie consumida e preservar sobras do peixe, congeladas, para possível análise da Vigilância Sanitária;
- Evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação, especialmente quando a procedência for desconhecida.













