
O Rio Grande do Norte deve registrar cerca de 520 novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmão, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Desse total, aproximadamente 140 casos devem ser registrados em Natal. A doença é apontada como a principal causa de morte por câncer no estado.
O cenário ganha atenção às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Fumo, em 29 de agosto, diante da retomada do crescimento do número de fumantes adultos no Brasil e da expansão do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes.
Embora o consumo de tabaco tenha recuado em escala mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que ainda havia 1,2 bilhão de usuários de tabaco em 2024, ante 1,38 bilhão em 2000.
No Brasil, por outro lado, a proporção de fumantes adultos subiu de 9,3% para 11,6% em 2024, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Em Natal, a taxa apresentou trajetória diferente: caiu de 13,3% em 2006 para 6,6% atualmente, uma redução de aproximadamente metade em quase duas décadas.
Procura por tratamento para deixar o cigarro aumenta
A procura por apoio para abandonar o tabagismo também cresceu. Dados do programa Fumo Zero, da Amil, apontam aumento de 172% no número de atendimentos entre 2024 e 2025, passando de 198 para 538 beneficiários.
Nos quatro primeiros meses de 2026, foram contabilizados 286 atendimentos, mantendo a procura em patamar elevado.
Para a oncologista Danielli Matias, do Hospital Promater, não existe uma quantidade ou período de exposição ao tabaco que possa ser considerado seguro. Segundo ela, mesmo pessoas que fumam pouco ou interromperam o consumo há anos permanecem com risco superior ao de quem nunca fumou.
A médica ressalta, porém, que abandonar o cigarro proporciona benefícios tanto no curto quanto no longo prazo.
“Parar de fumar ajuda a reduzir o risco de doenças, embora esse benefício dependa do tempo de exposição e do período desde a cessação. Esse risco diminui gradualmente. Em curto prazo, observamos melhora da vitalidade da pele e das mucosas, recuperação do paladar e do olfato e aumento da disposição física. Já em longo prazo, há melhora da capacidade respiratória e cardiovascular, além da redução do risco de desenvolver diversos tipos de câncer”, aponta.
Sintomas podem ser confundidos com efeitos do cigarro
Alguns sinais do câncer de pulmão podem ser confundidos com efeitos do próprio tabagismo, o que pode retardar a procura por avaliação médica.
Entre os sintomas citados pela oncologista estão:
- Tosse seca persistente;
- Tosse com sangue;
- Falta de ar;
- Dor no peito, principalmente em fases mais avançadas da doença.
A tosse persistente merece atenção, especialmente entre fumantes, já que pode ser interpretada como uma consequência habitual do consumo de cigarros.
Uso de vape preocupa entre adolescentes
Além do cigarro convencional, a expansão do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes também é motivo de preocupação. Segundo os dados apresentados, 29,6% dos adolescentes de 13 a 17 anos já experimentaram vape.
Para Danielli Matias, a percepção de que os dispositivos eletrônicos seriam menos prejudiciais que os cigarros convencionais pode levar à subestimação dos riscos.
“O vape pode conter substâncias até mais tóxicas do que o cigarro tradicional. Além da nicotina, esses dispositivos podem apresentar metais pesados, como chumbo e cromo, associados ao desenvolvimento do câncer. Também há evidências de que o dano aos alvéolos pulmonares pode ocorrer de forma mais rápida com o uso dos cigarros eletrônicos”, alerta.
O combate ao tabagismo envolve medidas de prevenção, informação e acesso a tratamento para quem deseja interromper o consumo. A interrupção do hábito reduz progressivamente os riscos associados ao tabaco, ainda que os benefícios variem conforme o tempo de exposição e o período desde a cessação.














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