
O Rio Grande do Norte registrou, em 2025, cerca de 81 mil crianças de 0 a 9 anos com excesso de peso, segundo levantamento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), do Ministério da Saúde. O número representa 39% da população infantil nessa faixa etária e reforça a necessidade de manter hábitos saudáveis, especialmente durante as férias escolares.
De acordo com especialistas, a mudança na rotina durante o recesso, aliada ao aumento do tempo em frente às telas e à redução das atividades físicas, pode favorecer o consumo de alimentos ultraprocessados e o sedentarismo.
A docente do curso de Nutrição da Estácio, Eva Andrade, explica que o excesso de peso infantil está relacionado a diversos fatores, como a alimentação, a rotina familiar e o baixo nível de atividade física.
“Esses produtos contribuem para o colesterol elevado, pressão arterial aumentada e a resistência à insulina. Quanto mais cedo a criança se acostuma com alimentos muito doces, gordurosos ou ricos em sódio, mais difícil pode ser aceitar alimentos naturais, como frutas, verduras e legumes”, explica.
O profissional de Educação Física Elmir Andrade destaca que a redução das brincadeiras e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos também podem afetar o desenvolvimento infantil.
“A falta de estímulo aos ossos e aos músculos pode prejudicar o desenvolvimento da coordenação motora e da postura. O excesso de telas pode comprometer o sono, a leitura e interação familiar, enfraquecendo o aprimoramento de pontos importantes como a criatividade e a tolerância ao tédio. Isso aumenta o risco de isolamento, ansiedade e irritabilidade”, afirma.
Especialistas orientam como manter uma rotina saudável
Para favorecer uma alimentação equilibrada durante as férias, Eva Andrade recomenda manter uma rotina organizada, mesmo com maior flexibilidade.
Entre as orientações estão:
- Manter horários aproximados para as refeições;
- Deixar frutas higienizadas e cortadas à disposição;
- Planejar lanches saudáveis;
- Envolver as crianças no preparo dos alimentos;
- Reservar doces e guloseimas para ocasiões específicas.
A nutricionista também recomenda priorizar alimentos como:
- Frutas;
- Verduras;
- Legumes;
- Carnes;
- Ovos;
- Feijão;
- Leite e derivados;
- Alimentos in natura ou minimamente processados, como arroz, batata e aveia;
- Consumo adequado de água ao longo do dia.
Atividade física deve fazer parte das férias
Segundo Elmir Andrade, a prática de exercícios também deve ser mantida durante o recesso escolar.
As recomendações são:
- Crianças de até 5 anos: cerca de três horas diárias de atividades variadas, preferencialmente brincadeiras ativas e ao ar livre;
- Crianças e adolescentes de 6 a 17 anos: pelo menos uma hora diária de atividade física de intensidade moderada a vigorosa, como correr, pedalar, nadar, saltar ou dançar.
Para reduzir o tempo de tela, o educador físico sugere resgatar brincadeiras tradicionais.
“Dentro de casa, morto-vivo, siga o mestre e cabra-cega são ótimas opções. Já em espaços públicos, amarelinha, bicicleta e patins incentivam o movimento de forma divertida”, orienta.











