
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) suspendeu temporariamente a aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue no Rio Grande do Norte. A medida segue orientação do Ministério da Saúde, que investiga 42 casos graves e dois óbitos registrados no país após a imunização. Até o momento, não há comprovação de relação entre os eventos analisados e a vacina.
Segundo a Sesap, não foram registradas reações adversas relacionadas ao imunizante no estado. Desde o início da campanha, em janeiro deste ano, foram aplicadas 5.200 doses das 18.520 recebidas pelo Rio Grande do Norte, destinadas a profissionais da Atenção Básica.
De acordo com a coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, Diana Rego, a suspensão integra os protocolos de farmacovigilância adotados para monitorar a segurança de novas tecnologias em saúde.
Conforme a orientação técnica, todos os eventos adversos observados após a aplicação de vacinas devem ser notificados e investigados, independentemente da gravidade, para garantir o acompanhamento adequado dos imunizantes utilizados pela população.
O Ministério da Saúde informou que os 42 casos graves em investigação correspondem a 0,008% das cerca de 500 mil doses da Butantan-DV aplicadas no Brasil até 30 de maio. Entre os sintomas analisados estão manifestações semelhantes às da dengue e, em situações mais severas, episódios hemorrágicos.
Vacinação com QDENGA segue normalmente
A Sesap esclareceu que a suspensão não afeta a vacinação com a QDENGA, destinada a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Segundo a secretaria, foram registradas 108 notificações de eventos adversos relacionados a esse imunizante no estado, sendo apenas duas classificadas como graves, ambas associadas a reações alérgicas.
Tecnologia utilizada é amplamente conhecida
A vacina Butantan-DV utiliza a tecnologia de vírus atenuado, método empregado há décadas em programas de imunização no Brasil e em outros países.
Esse tipo de vacina utiliza uma versão enfraquecida do vírus, capaz de estimular a resposta imunológica sem provocar a doença em condições normais. A técnica também está presente em imunizantes amplamente utilizados, como os destinados à prevenção da febre amarela, do rotavírus e da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Especialistas apontam que as vacinas de vírus atenuado costumam proporcionar proteção duradoura por induzirem uma resposta imunológica semelhante à gerada pela infecção natural, porém de forma controlada.
Apesar de serem consideradas seguras para a maior parte da população, esse tipo de imunizante pode exigir avaliação individualizada em grupos específicos, como gestantes e pessoas com imunossupressão.
Investigação segue em andamento
Os chamados eventos adversos correspondem a manifestações indesejadas observadas após o uso de medicamentos ou vacinas. Entretanto, a ocorrência de um evento não significa, necessariamente, que ele tenha sido causado pelo produto administrado.
Por esse motivo, os sistemas de vigilância sanitária mantêm monitoramento contínuo dos imunizantes mesmo após a aprovação para uso em larga escala. Esse acompanhamento permite identificar situações raras e avaliar, com base em evidências científicas, a existência ou não de relação causal.
A investigação dos casos associados à vacina Butantan-DV continua em andamento. As autoridades sanitárias e especialistas envolvidos no processo buscam esclarecer as circunstâncias dos episódios registrados antes da divulgação de conclusões definitivas sobre a segurança do imunizante.











