
Com o aumento da circulação de pessoas durante o Carnaval, especialistas alertam para o crescimento de furtos de celulares e de fraudes envolvendo aplicativos bancários. Como o aparelho concentra acesso a contas financeiras, criminosos costumam agir rapidamente após o roubo para realizar transferências e causar prejuízos às vítimas.
De acordo com Karla Haryanna Santos, professora do curso de Ciências da Computação da Universidade Potiguar (UnP), integrante do Ecossistema Ânima, a adoção de medidas preventivas antes mesmo de sair de casa pode ampliar a proteção do usuário.
Entre as orientações estão:
- utilizar bloqueio de tela com senha forte;
- evitar salvar senhas no aparelho;
- ativar o bloqueio automático da tela;
- manter Wi-Fi e Bluetooth desligados quando não estiverem em uso;
- habilitar funções de localização e bloqueio remoto do dispositivo.
“Muitos golpes acontecem logo após o roubo ou furto do aparelho, quando os criminosos tentam acessar rapidamente contas bancárias e realizar transferências. A criação de camadas extras de proteção, como senha ou biometria dentro dos aplicativos, reduz bastante a chance de prejuízo”, explica.
Outra recomendação é limitar os valores de transferências, especialmente via Pix. Segundo a docente, as instituições financeiras permitem estabelecer teto diário para movimentações, o que pode restringir perdas caso terceiros consigam acessar a conta.
“Se alguém conseguir entrar na conta, só poderá transferir até o limite definido. Esse tempo de reação permite que a vítima identifique movimentações suspeitas e entre em contato com o banco antes de perdas maiores”, destaca a professora de Ciências da Computação da UnP.
Como ferramenta adicional, o Governo Federal disponibiliza o aplicativo Celular Seguro. O serviço possibilita o cadastro do aparelho e, em caso de roubo, furto ou perda, o envio de alerta para bloqueio da linha telefônica e dos acessos vinculados a instituições financeiras parceiras.
Direito do Consumidor
Sob a perspectiva jurídica, a orientação é agir imediatamente ao perceber o desaparecimento do celular ou qualquer movimentação atípica na conta. Segundo Eduarda Vale, professora do curso de Direito da UnP, o primeiro passo é comunicar o banco para bloquear contas, Pix, cartões e aplicativos, além de solicitar o cancelamento do chip junto à operadora e registrar boletim de ocorrência.
“Também é importante trocar todas as senhas vinculadas ao aparelho, como e-mail e redes sociais, que muitas vezes funcionam como porta de entrada para os golpes”, orienta.
A docente acrescenta que pode haver direito ao ressarcimento quando for identificada falha na segurança da instituição financeira ou quando as transações estiverem fora do perfil habitual do cliente, mesmo que a fraude seja percebida horas depois.
“Mesmo que a vítima só identifique o problema após a folia, o direito não é perdido. O fundamental é comunicar o banco o quanto antes e guardar todos os registros para eventuais reclamações ou ações”, conclui Eduarda Vale.













