
Com o objetivo de ampliar a qualificação da mão de obra e atender à crescente demanda do setor da construção civil, o SENAI-RN irá oferecer, a partir de agosto, cursos gratuitos voltados à formação de “multiplicadores” de conhecimento nas empresas. A ação faz parte de um plano nacional elaborado em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que prevê quatro formações ainda em 2025 e outras 13 para o próximo ano.
A proposta é capacitar trabalhadores das próprias construtoras, que, após o treinamento, terão a responsabilidade de disseminar os conhecimentos adquiridos nos canteiros de obras. “A ideia do multiplicador é ganharmos capilaridade. Na prática, eu qualifico alguém da empresa para multiplicar o acesso à informação lá dentro, com a possibilidade de termos uma ou mais pessoas, por obra e com diferentes perfis de qualificação, participando do programa”, explicou Rodrigo Mello, diretor regional do SENAI-RN.
As primeiras turmas no estado terão como público prioritário profissionais de baixa renda que atuam em funções como pedreiro de alvenaria, carpinteiro de obras, armador de ferro e pedreiro de acabamento e revestimento de argamassa. As inscrições poderão ser feitas nas unidades do SENAI ou por meio do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-RN).
Entre os cursos previstos para 2026 estão capacitações em instalações hidráulicas, elétricas e sanitárias, aplicação de revestimentos cerâmicos e porcelanatos, formas de madeira para concreto, pintura de obras e leitura e interpretação de projetos. Todos serão realizados com a metodologia do programa Aprendendo a Construir, que combina videoaulas, livros digitais e atividades práticas supervisionadas.
Incentivo à participação feminina
Além de qualificar profissionais, o plano tem um olhar voltado para a inclusão de mulheres no setor, historicamente dominado por homens. O eixo “Elas Constroem” foi criado para estimular a presença feminina nas obras, onde elas representam apenas 10% da força de trabalho.
“Nós temos trabalhado firmemente no SENAI a capacitação feminina para atuação no setor elétrico, onde também há uma presença maior de homens. As atividades que desenvolvemos com essa perspectiva têm sido bem sucedidas na atividade e para a construção civil também estamos à disposição para a formação de turmas exclusivas ou mistas de mulheres para o trabalho setor”, afirmou Rodrigo Mello.
Déficit de mão de obra
Durante apresentação do programa na Assembleia Geral do Sinduscon-RN, o presidente da entidade, Sérgio Azevedo, destacou que o déficit de profissionais tem sido uma preocupação constante para o setor. “Mas o nosso problema não é só retenção (dos trabalhadores) ou capacitação. É a atração dessa mão de obra. O Programa do SENAI se encaixa como uma luva nisso que o setor coloca como dor”, afirmou.
Levantamento realizado pela CBIC em 2024 revelou que 94% das construtoras brasileiras enfrentam escassez de trabalhadores qualificados, e 76% precisaram rever prazos de entrega de obras por conta da falta de profissionais. A pesquisa mostra ainda que 72,7% das empresas apontam a baixa qualificação como principal obstáculo, enquanto 60% dos operários nunca participaram de um curso formal — apesar de 71% manifestarem interesse em se capacitar.
Rodrigo Mello enfatizou: “A construção civil tem a necessidade de capacitar cerca de 100 mil pessoas no país em 2025. Tem um turnover de 50%. E os cursos têm uma empregabilidade de 60%. Então é preciso identificar e atrair pessoas para a atividade econômica do Estado”.
Consultoria para pequenas empresas
Além da qualificação, o SENAI-RN também apresentou aos empresários do setor o Brasil Mais Produtivo, programa que oferece consultorias gratuitas para micro e pequenas empresas e subsidia 70% do custo para as de médio porte. As frentes incluem diagnóstico empresarial, manufatura enxuta, eficiência energética, transformação digital e fábricas inteligentes (smart factory). Neste ano, 84 vagas estão abertas no RN, e as inscrições podem ser feitas no site: https://plataformaprodutividade.com.br.
“As empresas que participaram da primeira rodada tiveram um aumento de produtividade de 49,5%”, destacou Mello. Segundo ele, a maioria era dos setores de vestuário, têxtil, alimentos e bebidas, cerâmica e móveis.
Semurb apreende materiais e multa comércio irregular na Praia de Miami, em Natal













