
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Norte (SENAI-RN), por meio do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), em parceria com a empresa DOIS A Engenharia e Tecnologia, anunciou o lançamento do edital multiclientes do primeiro projeto de energia eólica offshore do Brasil.
A planta-piloto será implantada no mar de Areia Branca, município potiguar a 330 km de Natal, e foi o primeiro projeto eólico offshore do país a obter licença prévia do Ibama. O objetivo é desenvolver estudos e tecnologias que incentivem investimentos, formem uma cadeia de fornecedores e ampliem o conteúdo nacional na indústria eólica brasileira.
O diretor do SENAI-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello, apresentou o projeto durante o painel “Transferência de Conhecimentos e os Projetos Piloto em Desenvolvimento” e destacou o avanço da iniciativa:
“O projeto da planta-piloto do Rio Grande do Norte deixou de ser apenas uma ideia, um sonho. Estamos falando de algo concreto, que existe. Nós temos a licença em mãos e estamos em fase final de análise jurídica do edital para reunir parceiros que irão trabalhar conosco para desenvolver a primeira turbina para o mar do Brasil”, afirmou.
Segundo Mello, o anúncio marca o “dia zero” do projeto, quando as empresas interessadas poderão analisar as condições de participação. Os contratos devem ser assinados até dezembro, e o início dos trabalhos está previsto para abril de 2026.
As inscrições poderão ser feitas a partir de 28 de novembro, na Plataforma Inovação para a Indústria.
O projeto seguirá o formato Joint Industry Project (JIP), reunindo o SENAI-RN, a DOIS A Engenharia e empresas investidoras. O investimento inicial será de R$ 42 milhões, com duração estimada entre 16 e 18 meses. Essa primeira fase abrangerá projetos de engenharia e estudos técnicos.
A segunda etapa compreenderá a engenharia final, incluindo construção, montagem, comissionamento e testes. O investimento será rateado entre as empresas participantes, que dividirão riscos tecnológicos e financeiros.
“A previsão é captar parceiros interessados em desenvolver tecnologia nacional e soluções de construção e logística para fixação de aerogeradores nas condições da Margem Equatorial brasileira”, explicou Mello.
O projeto prevê a instalação de dois aerogeradores, com potência combinada de 24,5 Megawatts (MW), a 4,5 km do Porto-Ilha de Areia Branca. O sistema utilizará tecnologia espanhola da Esteyco, licenciada no Brasil pela DOIS A Engenharia, que permite montar as torres em terra e transportá-las por rebocadores até o ponto de instalação, eliminando a necessidade de grandes embarcações.
A planta funcionará como sítio de testes para futuras turbinas eólicas no mar brasileiro e servirá de base para o desenvolvimento de fundações do tipo gravity-base, torres telescópicas de concreto pré-moldado e sistemas flutuantes auxiliares.
“O Brasil é muito competitivo em qualidade de ventos. Mas precisamos desenvolver soluções locais, adaptadas às nossas condições, com logística e conteúdo nacional”, ressaltou o diretor.
De acordo com o edital, a operação da planta-piloto deverá começar em até 36 meses após a assinatura dos contratos. A meta é consolidar o Brasil como referência em tecnologia offshore adaptada à costa brasileira, reduzindo a dependência de equipamentos importados e fortalecendo a indústria nacional.
“É preciso registrar que este é um projeto de desenvolvimento, um projeto de pesquisa e inovação, e não de geração de energia. O passo que estamos dando é fundamental para que o país possa desenvolver sua cadeia industrial com tecnologias sólidas e adaptadas ao nosso litoral”, concluiu Mello.













