
A elevação de tarifas sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos pode gerar impacto relevante para a economia do Rio Grande do Norte. O presidente da Federação das Indústrias do Estado (FIERN), Roberto Serquiz, afirmou que o aumento de alíquotas, anunciado por meio de uma ordem executiva assinada pelo presidente norte-americano Donald Trump, preocupa especialmente os setores potiguares que não foram incluídos entre as exceções da medida.
De acordo com Serquiz, apenas o setor de óleos combustíveis, entre os principais exportadores do RN, consta na lista das cerca de 700 exceções. Com isso, a maioria dos produtos industriais do estado estará sujeita à nova alíquota de 50%, válida a partir de 6 de agosto.
“A FIERN tem atuado desde o primeiro momento, reunindo os exportadores potiguares e mantendo diálogo permanente com esses empresários e com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostrando as implicações para o Estado e procurando soluções e alternativas”, declarou o presidente da Federação em entrevista nesta quinta-feira (31).
Entre os produtos que serão atingidos pelas novas tarifas estão:
- Caramelos e confeitos
- Pescados frescos, como albacoras e atuns
- Sal marinho
- Mangas frescas
- Castanha de caju
- Granitos e pedras ornamentais beneficiadas
- Outros produtos de origem animal destinados ao consumo humano
Segundo estudo técnico realizado pelo Centro Internacional de Negócios da FIERN, “os principais produtos do RN exportados para os EUA não estão incluídos nas exceções que excluem produtos do aumento tarifário. Portanto, passarão a ser integralmente taxados pela nova alíquota de 50%”.
Ainda segundo o levantamento, esses segmentos representam parcela importante da balança comercial do estado com os EUA. Com a medida, estima-se que entre R$ 70 milhões e R$ 100 milhões por ano em exportações podem deixar de ser comercializados. Além disso, cerca de 4 mil empregos estão sob risco.
Apesar do cenário adverso, Roberto Serquiz afirmou que a prioridade da indústria potiguar é preservar os postos de trabalho. “O objetivo é sempre admitir pessoas, criar oportunidades no mercado de trabalho. Quem empreende sempre tem o propósito de empregar, de melhorar e crescer. […] Mas, infelizmente, diante desse cenário, pode se tornar impossível manter [todos os empregos nos segmentos que exportam para os EUA]”, pontuou.
Ele reforçou a necessidade de estratégias técnicas e diplomáticas para reverter ou mitigar os efeitos da tarifa. “Agora estamos diante do fato real e passamos, então, para um ambiente de desafio. Claro que é preciso manter a esperança e o otimismo de uma reversão, mas também buscar mitigar a situação enquanto isso não ocorre”.













