
O cineasta Silvio Tendler, um dos mais importantes documentaristas do país, faleceu na manhã desta sexta-feira (5), aos 75 anos, no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela produtora Caliban, fundada pelo próprio diretor, por meio das redes sociais. Tendler estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana.
“Silvio deixa uma filha, um neto, mais de cem obras, incontáveis amigos, centenas de ex-alunos, uma legião de fãs e a semente da justiça social plantada em todos nós”, publicou a Caliban no Instagram.
O velório e o enterro estão marcados para o domingo (7), às 11h, no Cemitério Comunal Israelita do Caju, na zona portuária do Rio.
Uma carreira dedicada à história e à justiça social
Ao longo de mais de quatro décadas de atuação, Silvio Tendler se notabilizou por um cinema voltado à reconstrução da memória política e social do Brasil. Suas produções exploraram o papel de figuras históricas, momentos de ruptura institucional e a resistência democrática. Tendler também era reconhecido pelo estilo crítico e engajado, refletido em sua ampla filmografia.
A Casa Rui Barbosa, instituição ligada ao Ministério da Cultura, prestou homenagem nas redes sociais e destacou o compromisso do cineasta: “Uma vida inteira dedicada a contar a história recente do país com coragem, compromisso e denúncia.”
Retrato dos presidentes e da política nacional
Tendler se destacou principalmente por obras que revisitaram a trajetória de líderes políticos brasileiros. Seu primeiro grande sucesso foi “Os Anos JK – Uma Trajetória Política” (1980), seguido por “Jango” (1984), sobre o ex-presidente João Goulart, e “Tancredo: A Travessia” (2011), que aborda os últimos momentos da transição democrática no Brasil.
Esses filmes consolidaram sua imagem como “o cineasta dos vencidos”, título que ele mesmo abraçou por retratar personagens derrotados pela história oficial, mas fundamentais para compreender o país.
Tendler foi celebrado na Mostra Cinema e Direitos Humanos no RN
Em 2024, Silvio Tendler foi o cineasta homenageado da 13ª edição da Mostra Cinema e Direitos Humanos, realizada no Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Decom/UFRN). Na ocasião, foi exibido o documentário “Nas Asas da Pan Am” (2020), que narra passagens marcantes da vida do diretor, inclusive seu período de exílio durante a ditadura militar brasileira.
A homenagem reconheceu não apenas sua contribuição ao cinema, mas também seu papel como educador e defensor dos direitos humanos.
Filmes sobre pensadores e artistas brasileiros
Além da política institucional, Tendler também registrou a vida de pensadores brasileiros em obras como “Josué de Castro – Cidadão do Mundo” (1994) e “Milton Santos – Pensador do Brasil” (2001), este último sobre o geógrafo premiado com o Nobel Alternativo. Em “Glauber o Filme, Labirinto do Brasil” (2003), mergulhou na trajetória do cineasta Glauber Rocha, com quem partilhava afinidades estéticas e ideológicas.
Seu documentário “O Mundo Mágico dos Trapalhões” (1981) continua sendo, até hoje, um marco no cinema nacional infantil, com 1,8 milhão de ingressos vendidos, a maior bilheteria do gênero.
Reconhecimento oficial em vida
Tendler foi condecorado duas vezes por sua contribuição cultural. Em 2006, recebeu a Ordem de Rio Branco, concedida pela Presidência da República. Já neste ano, o cineasta foi agraciado com o título de Comendador da Ordem do Mérito Cultural, a maior honraria do Ministério da Cultura.
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