
A aquisição de peixes em estabelecimentos registrados e com identificação de origem é medida essencial para garantir a segurança do consumo, segundo o Sindicato da Indústria da Pesca do Rio Grande do Norte (Sindipesca-RN). A orientação é reforçada diante de dúvidas relacionadas à presença da toxina causadora da ciguatera no estado, cuja primeira notificação foi registrada em 2022.
De acordo com o presidente da entidade, Arimar França Filho, a escolha de pontos de venda formais e fiscalizados assegura que o produto siga normas sanitárias e de integridade em todas as etapas, da captura à comercialização. Ele acrescenta que a opção por espécies pescadas em alto-mar praticamente elimina o risco de contaminação pela toxina.
Espécies como:
- Atum;
- Meca;
- Cavala;
- Cação;
- Dourado;
são capturadas por embarcações que operam a mais de 500 quilômetros da costa. Nesse tipo de pesca, não há possibilidade de captura de peixes contaminados pela toxina associada à ciguatera.
A substância está presente em microalgas ligadas a recifes de coral. Por isso, apenas peixes que vivem em áreas recifais, em águas próximas ao litoral, podem apresentar risco de contaminação, como:
- Arabaiana;
- Bicuda;
- Guariba.
“Os produtos certificados, comercializados em estabelecimentos registrados, que possuem o SIF [Serviço de Inspeção Federal] ou são fiscalizados pela vigilância sanitária estadual ou municipal, garantem a oferta de produtos com origem identificada e que cumprem as normas em todas as etapas, desde a captura até a chegada ao ponto de venda ou à mesa, no caso dos restaurantes”, afirma. “É importante observar esses critérios e fazer uma escolha segura”, acrescenta Arimar França.
Garantia de origem assegura qualidade do pescado
A veterinária Ana Carolina Braga, especialista em Gestão da Segurança de Alimentos de Origem Animal, destaca que a rastreabilidade é fundamental para assegurar a qualidade. “É preciso ter certeza de onde vem o pescado”, ressalta.
Segundo ela, a identificação da origem permite verificar se o peixe foi capturado fora de áreas contaminadas, afastando o risco de intoxicação por ciguatera. A ausência dessa informação também impede a verificação de boas práticas e de análises que detectem metais pesados ou parasitas.
Com o registro formal, é possível identificar inclusive a embarcação responsável pela captura. “Isso é relevante porque, se necessário, pode-se confirmar se a embarcação adotou o manejo de acordo com as normas. Esse controle é fundamental”, afirma.
A especialista explica ainda que a qualidade do pescado depende do manejo adequado desde o abate. “Os procedimentos garantem a qualidade, que precisa ser mantida desde o abate. Uma vez perdida, não há como recuperá-la”, alerta. “Após o abate, o peixe deve ser imediatamente acondicionado em gelo e mantido sob controle adequado até chegar à mesa do consumidor”, explica.
Empresas formais, fiscalizadas por órgãos sanitários, são obrigadas a cumprir essas exigências, inclusive no caso de produtos congelados. “Com isso, há segurança no produto oferecido, o que é fundamental, pois se trata de um alimento que deve chegar ao consumidor com suas características de sabor, valor nutricional, equilíbrio e segurança plenamente preservados”, conclui.













