
O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu um esquema especial de segurança para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus no processo que apura a chamada trama golpista. A análise do caso terá início no dia 2 de setembro e deve se estender até o dia 12.
Entre as medidas previstas estão varreduras nas residências dos ministros, restrição de acesso à Praça dos Três Poderes e reforço no policiamento da sede do Supremo, onde agentes estão dormindo em alojamentos improvisados. “O Supremo requisitou cerca de 30 policiais de tribunais espalhados pelo Brasil e prevê utilizar todo o seu efetivo da Polícia Judicial no esquema especial de segurança”, informa a Corte.
Os policiais deslocados para Brasília permanecerão no local por, pelo menos, dois meses, com possibilidade de prorrogação. Eles se revezam em regime de plantão, em beliches instalados no próprio prédio do tribunal. A avaliação interna é de que o reforço é necessário diante do aumento das ameaças aos ministros e da possibilidade de condenação de Bolsonaro.
A requisição de agentes de outros tribunais já ocorreu em ocasiões anteriores, mas o Supremo avalia a necessidade de ampliar o efetivo permanente da Polícia Judicial, com a contratação de 40 novos policiais.
O plano de segurança, elaborado em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, leva em conta dois fatores de risco. O primeiro é a proximidade das celebrações de 7 de Setembro, que deve coincidir com parte do julgamento, quando estão previstas manifestações de apoiadores do ex-presidente. O segundo é a possibilidade de que ataques à Corte se estendam por meses, mesmo após a conclusão do processo.
Além disso, há preocupação com ações individuais, como a ocorrida em novembro de 2023, quando Francisco Wanderley Luiz, conhecido como Tiü França, explodiu uma bomba ao lado da estátua da Justiça, no STF. Desde então, as grades de proteção ao redor do prédio foram recolocadas e não têm prazo para serem retiradas.
Outro ponto em análise é a eventual presença de Bolsonaro no tribunal. Atualmente em prisão domiciliar, ele manifestou a pessoas próximas o desejo de comparecer a algumas sessões para “ficar de frente aos ministros que ele considera algozes”. Caso se confirme, o esquema de segurança será reforçado.
O presidente da Primeira Turma do STF, ministro Cristiano Zanin, estabeleceu cinco sessões para o julgamento: 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro. A expectativa é de que o resultado seja conhecido no último dia.











