
Bronzear-se pode parecer apenas uma questão estética, mas quando feito de forma excessiva, torna-se um risco à saúde. A prática está associada à tanorexia, um comportamento compulsivo caracterizado pela necessidade crescente de escurecer a pele. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o câncer de pele teve cerca de 660 mil novos diagnósticos entre 2023 e 2025.
A explicação está no funcionamento do sistema endócrino: a exposição ao sol ou a câmaras de bronzeamento estimula a produção de melanina, pigmento responsável pela cor da pele, e libera endorfina, proporcionando sensação de bem-estar imediato, o que reforça o impulso por novas sessões.
O fisioterapeuta dermato-funcional Rodrigo Marcel alerta sobre sinais que merecem atenção: “vermelhidão, ardência, sensação de calor local, ressecamento e descamação, sensibilidade ao toque e o surgimento de manchas ou sardas novas”.
O especialista explica que, embora o melanoma seja o efeito mais temido da exposição prolongada à radiação ultravioleta, outros riscos também existem.
“Entre os efeitos nocivos da exposição excessiva estão queimaduras solares, manchas como o melasma, aumento significativo do câncer de pele e envelhecimento precoce, com o aparecimento de rugas e flacidez”, afirma Marcel, que também é docente da Estácio.
Além disso, a radiação UV do sol ou de câmaras artificiais danifica o DNA das células, com efeito acumulativo capaz de intensificar sintomas de doenças, causar mutações celulares e acelerar o fotoenvelhecimento. “A exposição repetida também favorece o surgimento de melasma e outras hiperpigmentações, aumenta o risco de insolação, reativa herpes labial e pode agravar doenças autoimunes ou dermatites”, completa.
Marcel reforça que a pele bronzeada não é sinônimo de saúde ou beleza. Para aproveitar os benefícios da luz solar de forma segura, recomenda-se se expor apenas antes das 10h e após às 16h, sempre com proteção solar adequada.
Quando o bronze vira problema
Para quem já apresenta danos visíveis, o especialista indica intervenções dermato-funcionais que auxiliam na recuperação da pele. Entre os procedimentos estão peelings químicos superficiais, microagulhamento, laser como luz intensa pulsada, hidratação profunda com dermocosméticos, máscaras calmantes, radiofrequência, LEDterapia e protocolos específicos de hidratação.
Em casos mais graves, é fundamental buscar atendimento especializado, tanto para a pele quanto para a saúde mental. “É necessário atendimento psicológico profissional para lidar com a distorção de imagem que leva o indivíduo a buscar o bronzeamento a limites extraordinários, que podem causar também bolhas, febre, dor intensa e persistente, indícios de infecção como pus ou vermelhidão crescente, e queimaduras extensas ou em áreas sensíveis, como rosto e olhos nos piores casos”, alerta Marcel.
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