
O turismo brasileiro faturou R$ 23,2 bilhões em abril de 2026, alcançando o maior valor já registrado para o mês na série histórica. O resultado representa um crescimento de 2,7% em comparação com abril de 2025, segundo levantamento da FecomercioSP elaborado com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, o setor registra expansão de 3,6%, impulsionada pela continuidade das viagens de lazer e de negócios no período posterior ao Carnaval.
O transporte aéreo de passageiros foi o segmento que mais contribuiu para o faturamento do turismo em abril. A atividade movimentou R$ 6,9 bilhões, crescimento de 3,7% na comparação anual.
De acordo com a FecomercioSP, o desempenho foi influenciado pelo aumento de 9% no preço médio das passagens aéreas, reflexo da elevação no custo do querosene de aviação (QAV), que passou de R$ 3,33 para R$ 6,50 por litro após o agravamento do conflito no Oriente Médio. Apesar desse cenário, a entidade avalia que as companhias aéreas ainda não repassaram integralmente o aumento dos custos aos consumidores.
Além do transporte aéreo, outros segmentos também apresentaram crescimento em abril:
- Meios de hospedagem: R$ 5,3 bilhões em faturamento, alta de 2,6%;
- Alimentação voltada ao turismo: R$ 3,6 bilhões, crescimento de 5,2%.
Segundo o estudo, o desempenho da hotelaria foi favorecido pelo aumento de 2% na diária média, enquanto o segmento de alimentação foi impulsionado pelo mercado de trabalho aquecido.
Rio Grande do Norte lidera crescimento no Nordeste
Na análise dos estados, desconsiderando o transporte aéreo, o turismo movimentou R$ 16,3 bilhões, alta de 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ao todo, 18 unidades da federação registraram crescimento.
São Paulo permaneceu na liderança nacional, com faturamento de R$ 6,6 bilhões, equivalente a 41% do total movimentado pelos estados, impulsionado principalmente pelo turismo corporativo e de eventos.
No Nordeste, o Rio Grande do Norte apresentou o maior crescimento percentual da região. O estado registrou expansão de 16,1%, alcançando faturamento de R$ 132 milhões no período.
A Bahia também apresentou resultado positivo, com crescimento de 11,2% e receita de R$ 771 milhões. Já o Rio de Janeiro registrou alta de 5,7%, movimentando R$ 1,4 bilhão, impulsionado pelo turismo de lazer e pelo aumento da chegada de visitantes estrangeiros.
Em contrapartida, Ceará, Goiás, Tocantins e Minas Gerais registraram retração no período analisado.
Expectativa para 2026
A FecomercioSP projeta crescimento entre 4% e 5% para o turismo brasileiro em 2026. A estimativa considera a manutenção do consumo das famílias e a estabilidade do mercado de trabalho como fatores favoráveis ao setor.
Por outro lado, a entidade aponta que a evolução do cenário geopolítico no Oriente Médio e seus impactos sobre os custos globais de energia permanecem entre os principais fatores de atenção para o desempenho da atividade turística ao longo do ano.













