
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte conquistaram a concessão de uma patente voltada ao tratamento de infecções oculares. A inovação consiste em uma lente de contato terapêutica capaz de incorporar medicamentos e liberá-los gradualmente diretamente na superfície do olho, aumentando a eficácia do tratamento e reduzindo a necessidade de aplicações frequentes de colírios.
O dispositivo foi desenvolvido por um grupo de seis cientistas vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da instituição. Entre os medicamentos testados está a Anfotericina B, utilizada no combate à ceratite fúngica, enfermidade que pode provocar dor, vermelhidão, sensibilidade à luz e até perda da visão em casos mais graves.
Segundo a pesquisadora Fabia Julliana Jorge de Souza, “essa lente foi pensada para superar limitações importantes das terapias convencionais, oferecendo uma alternativa mais eficiente e confortável para o paciente”.
Diferentemente dos colírios tradicionais, cuja permanência no olho é reduzida, a lente permite a liberação contínua do medicamento por até 24 horas. A proposta funciona como uma plataforma terapêutica e pode ser aplicada em clínicas oftalmológicas, hospitais, tratamentos ambulatoriais e atendimentos domiciliares supervisionados.
O pesquisador Eryvaldo Sócrates Tabosa do Egito destacou os impactos da tecnologia no tratamento.
“possibilidade de controlar a liberação do fármaco diretamente na córnea representa um salto importante na eficácia terapêutica e na qualidade de vida dos pacientes”.
Além de Fabia e Sócrates, participaram do desenvolvimento Francisco Alexandrino Júnior, Éverton do Nascimento Alencar, Lucas Amaral Machado e Joerbson Medeiros de Paula.
A equipe informa que os protótipos já passaram por estudos laboratoriais, incluindo análises físico-químicas, testes de liberação controlada e simulações de dinâmica molecular. Agora, os pesquisadores avançam para novas etapas de validação, como testes de esterilização, toxicidade e ensaios em modelos animais, fundamentais antes da aplicação clínica em humanos.
Intitulada “Lentes de contato oftálmicas terapêuticas produzidas com hidrogéis para veiculação de fármacos”, a patente foi depositada em 2020 e teve a concessão publicada em abril deste ano.
Com o novo registro, a UFRN alcança 111 cartas-patente concedidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Segundo a base de dados do órgão, a universidade lidera o número de concessões entre instituições de ensino das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Na universidade, a gestão dos ativos de propriedade intelectual é realizada pela Agência de Inovação da UFRN (Agir), responsável pela proteção de patentes, transferência de tecnologia e estímulo a iniciativas de inovação.
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