
A Universidade de Oxford iniciou o primeiro ensaio clínico em humanos de uma vacina desenvolvida para combater a cepa Bundibugyo do vírus ebola. A pesquisa busca avaliar a segurança do imunizante e sua capacidade de estimular resposta imunológica diante dos surtos registrados na República Democrática do Congo e em Uganda.
A fase inicial do estudo, denominada BD-Ebov, contará com a participação de 50 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos. O recrutamento dos participantes já foi iniciado, enquanto a aplicação das doses está prevista para as próximas semanas, após a conclusão das autorizações regulatórias.
A vacina candidata, chamada ChAdOx1 BDBV, foi desenvolvida por pesquisadores do Grupo de Vacinas e do Instituto de Ciências Pandêmicas da Universidade de Oxford. O imunizante utiliza tecnologia de vetor viral semelhante à empregada na vacina Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19.
Produção antecipada de doses
O Instituto Serum da Índia, parceiro do projeto, informou que produziu e armazenou cerca de 620 mil doses da vacina em um período de duas semanas. Desse total, 4 mil doses experimentais foram disponibilizadas para a primeira etapa dos testes clínicos.
Em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu a ChAdOx1 BDBV entre as vacinas prioritárias para avaliação clínica como parte da resposta aos surtos da doença. Outra candidata, denominada rVSV Bundibugyo, também está em desenvolvimento para prevenção da mesma cepa do vírus.
Investimentos e próximos estudos
A Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) anunciou um investimento inicial de até US$ 8,6 milhões para apoiar o desenvolvimento da vacina.
Caso os resultados da fase inicial sejam considerados satisfatórios, a organização pretende financiar estudos mais avançados com o objetivo de obter autorização para uso emergencial ou aprovação definitiva do imunizante.
Além do estudo em andamento no Reino Unido, pesquisadores preparam novos ensaios clínicos em Uganda, que dependerão das aprovações dos órgãos reguladores. A iniciativa reúne instituições de pesquisa internacionais para ampliar as opções de vacinas contra o ebola nos países mais afetados pela doença.













