
O Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta-feira (10), uma parceria inédita entre o Instituto Butantan e a farmacêutica Pfizer para a fabricação nacional da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Considerado um dos principais causadores de doenças respiratórias graves em bebês, como a bronquiolite, o vírus tem alta taxa de hospitalização em crianças com menos de dois anos.
A estimativa da pasta é que 1,8 milhão de doses sejam entregues até o final de 2025. O imunizante, já incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) desde fevereiro, será aplicado em gestantes a partir da 28ª semana de gestação. A vacinação materna, segundo o ministério, transfere anticorpos ao bebê, protegendo-o nos primeiros meses de vida – período de maior vulnerabilidade ao vírus.
Ainda de acordo com os dados oficiais, o VSR é responsável por 80% dos quadros de bronquiolite e por 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos. Em cada cinco crianças infectadas, uma necessita de atendimento médico e, em média, uma a cada 50 é internada no primeiro ano de vida.
O risco é ainda mais elevado entre os prematuros. “A taxa de mortalidade é sete vezes maior em bebês que nascem antes do tempo”, aponta o Ministério da Saúde. Estima-se que, anualmente, 20 mil crianças com menos de um ano sejam hospitalizadas no Brasil por complicações relacionadas ao VSR.
“A vacina tem potencial para prevenir cerca de 28 mil internações por ano, oferece proteção imediata aos recém-nascidos e beneficiará aproximadamente 2 milhões de bebês nascidos vivos”, informou a pasta em comunicado oficial.
Produção nacional de medicamento contra esclerose múltipla também é anunciada
Além da vacina contra o VSR, o Ministério da Saúde também confirmou que o Brasil vai iniciar a produção do natalizumabe, um medicamento biológico utilizado no tratamento da esclerose múltipla. A fabricação será feita em parceria entre a farmacêutica Sandoz e o Instituto Butantan, por meio de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP).
Atualmente ofertado pelo SUS, o natalizumabe é indicado para casos da forma remitente-recorrente de alta atividade, que representa aproximadamente 85% dos diagnósticos da doença. No entanto, até o momento, apenas uma empresa possui registro para a comercialização do medicamento no país.
A pasta destacou a importância estratégica dessa nacionalização da produção, sobretudo após os desafios enfrentados durante a pandemia e os recentes obstáculos impostos por tarifas internacionais.
“A vulnerabilidade do país na oferta de insumos durante a pandemia de covid-19 e os recentes episódios relacionados a aplicação de tarifas abusivas às exportações brasileiras reforçam a importância da soberania do SUS para garantir o acesso da população a medicamentos e tratamentos”, avaliou o ministério.
A esclerose múltipla é uma condição autoimune que afeta o sistema nervoso central, atingindo principalmente adultos entre 18 e 55 anos. A doença é caracterizada pela perda da bainha de mielina, estrutura responsável por transmitir impulsos elétricos ao cérebro, prejudicando funções motoras e cognitivas.
*Com Informações de Agência Brasil
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