
O aumento dos registros de violência contra pessoas idosas tem preocupado especialistas e órgãos de defesa dos direitos humanos. Dados do Disque 100 apontam que mais de 170 mil ocorrências envolvendo esse público foram registradas ao longo de 2025 em todo o país.
O tema ganha ainda mais relevância com a proximidade do Dia Mundial da Conscientização da Violência Contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho. A data, reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 2011, busca chamar a atenção para situações de abuso, maus-tratos e violações de direitos enfrentadas por pessoas com 60 anos ou mais.
Segundo o Ministério da Saúde, a negligência figura entre as formas mais recorrentes de violência. O problema ocorre quando familiares, cuidadores ou responsáveis deixam de garantir cuidados essenciais, como alimentação, higiene, acompanhamento médico e proteção adequada.
Para a presidente do Conselho Regional de Serviço Social do Rio Grande do Norte, Ana Lima, a violência contra a população idosa se manifesta de diferentes maneiras e muitas vezes permanece invisível.
“A presidenta do Conselho Regional de Serviço Social do Rio Grande do Norte (CRESS-RN), Ana Lima, explica que as violências contra a pessoa idosa assumem múltiplas expressões e, muitas vezes, permanecem invisibilizadas no cotidiano social e familiar.”
De acordo com a assistente social, além da negligência e do abandono, são comuns episódios de violência psicológica, caracterizados por humilhações, ameaças, isolamento social, infantilização e desrespeito à autonomia das pessoas idosas.
Outro tipo recorrente é a violência patrimonial e financeira, quando parentes ou terceiros utilizam indevidamente aposentadorias, benefícios previdenciários ou outros bens pertencentes à vítima.
“Em menor visibilidade, mas igualmente graves, estão as violências físicas e institucionais, que podem ocorrer quando serviços públicos ou privados dificultam o acesso a direitos, submetem pessoas idosas a tratamentos desrespeitosos ou reproduzem práticas discriminatórias baseadas no idadismo”, explica a presidenta.
A especialista destaca que o enfrentamento do problema exige uma análise que vá além das relações familiares.
“É importante compreender que essas violências não decorrem apenas de relações interpessoais, mas também das desigualdades sociais, da insuficiência de políticas públicas e da persistência de uma cultura que desvaloriza o envelhecimento”, reforça.
Papel do Serviço Social
Nos casos de suspeita ou confirmação de violência, o Serviço Social atua na proteção da vítima e na garantia de acesso aos seus direitos. O trabalho envolve acolhimento, orientação e encaminhamento para a rede de proteção social.
“A partir da identificação da situação de violência, o Serviço Social realiza estudos e avaliações sociais, orienta sobre direitos e acessa os mecanismos de proteção existentes”, afirma Ana Lima.
Além do acompanhamento individual, os profissionais também desenvolvem ações educativas e preventivas voltadas ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
“Além do atendimento individual, a/o assistente social atua nas dimensões coletiva e preventiva, desenvolvendo ações educativas, fortalecendo vínculos familiares e comunitários, participando de espaços de controle social e incidindo politicamente pela ampliação das políticas públicas voltadas ao envelhecimento”, completa.
Defesa dos direitos da pessoa idosa
O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) defendem o fortalecimento das políticas públicas destinadas à população idosa, incluindo saúde, assistência social e previdência.
As entidades também reforçam a necessidade de implementação efetiva do Estatuto da Pessoa Idosa, da ampliação dos investimentos públicos no setor e do fortalecimento da Política Nacional da Pessoa Idosa, como instrumentos fundamentais para garantir dignidade, cidadania e proteção social.
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