
Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, mostram que o empresário tratava como prioridade os pagamentos ao escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As conversas integram um relatório da Polícia Federal cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça.
Segundo o documento, Vorcaro classificou o contrato com o escritório como o “mais importante” entre os compromissos do empresário. Em uma das conversas, ele orientou funcionários do banco para que os pagamentos previstos no acordo não sofressem atrasos.
“O mais importante”
Em outra mensagem, ao tratar de uma parcela destinada ao escritório, Vorcaro afirmou que o pagamento não poderia “atrasar um dia”. Na sequência, escreveu para uma funcionária do Banco Master: “Pode pagar sempre, sem nota”.
Em uma ocasião posterior, relacionada ao pagamento de outra parcela contratual, o empresário orientou que o valor não fosse transferido por Pix. “Não é bom”, afirmou.
As mensagens fazem parte dos elementos analisados pela Polícia Federal na investigação envolvendo Vorcaro e o Banco Master. O conteúdo passou a ser público após André Mendonça retirar o sigilo dos autos nesta terça-feira (1º).
Contrato de R$ 131 milhões
O Banco Master firmou contrato de prestação de serviços advocatícios com o escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, no valor bruto de R$ 131.274.351,72.
O acordo previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos. Considerados os tributos previstos no contrato, cada parcela correspondia a aproximadamente R$ 3,65 milhões em valores brutos.
Segundo informações divulgadas anteriormente, o escritório recebeu R$ 80.223.653,84 do Banco Master entre 2024 e 2025. Os pagamentos foram interrompidos após a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
Edição do contrato
Metadados do documento também indicaram que o ministro Alexandre de Moraes acessou e editou uma versão do contrato antes da assinatura. O arquivo, extraído do celular de Vorcaro durante a investigação, registrou uma alteração associada ao perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro acessou e editou o documento. Segundo a banca, a consulta ocorreu após o setor de compliance solicitar informações sobre possíveis impedimentos legais para a contratação pelo Banco Master.
O escritório afirmou que não havia impedimento porque Alexandre de Moraes não teria julgado causas envolvendo o banco e que os serviços jurídicos previstos no contrato foram prestados.
A investigação ainda deverá ser analisada pelo plenário do STF, conforme decisão de André Mendonça. O ministro determinou que a deliberação sobre os novos elementos ocorra de maneira pública e transparente.













