
O vice-governador Walter Alves (MDB) sinalizou que poderá não assumir o comando do Governo do Rio Grande do Norte a partir de abril, caso a governadora Fátima Bezerra (PT) confirme a renúncia para disputar as eleições. A possibilidade foi discutida em reunião nesta quarta-feira (26), em Brasília, com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, e o deputado estadual Dr. Bernardo (PSDB), que deve ingressar no partido.
Segundo informações apuradas pelo Diário do RN, Walter levou ao encontro uma análise detalhada da situação fiscal do Estado. O vice-governador entende que, se o cenário permanecer dentro das projeções técnicas apresentadas, assumir o governo representaria risco de descumprimento de compromissos, como pagamento de salários, o que poderia afetar sua imagem política.
Os dados que chegaram ao gabinete do vice-governador apontam que a folha de pagamento pode passar de R$ 936 milhões para R$ 1,2 bilhão a partir de abril, em razão de pisos, planos de carreira e reajustes. Há também o receio de atrasos salariais, tema sensível em gestões anteriores. Atualmente, o governo tem mantido os pagamentos com retiradas de recursos de autarquias estaduais, como o Detran RN.
O presidente do IPERN, Nereu Linhares, admitiu recentemente, em audiência pública na Assembleia Legislativa, o uso de parte do Fundo Previdenciário para cobrir despesas da administração. Além disso, os números apresentados pelo governo e por técnicos legislativos indicam outros desafios:
- Déficit previsto no orçamento de 2026: R$ 2,1 bilhões
- Restos a pagar de 2025 para 2026: cerca de R$ 1,7 bilhão
- Pagamento do restante do 13º de 2025: aproximadamente R$ 700 milhões
- Acréscimo do piso da educação para 2026: R$ 300 milhões
Com esses valores, o déficit estimado chega a R$ 4,7 bilhões. Também deve entrar nessa conta o impacto da Lei Orgânica da Administração Tributária, aprovada nesta quarta-feira (26) na Assembleia Legislativa, que reestrutura carreiras e o sistema tributário do Estado.
Parte das informações foi levantada por Walter junto ao governo e em conversa com o deputado Tomba Faria (PL), relator da Lei Orçamentária Anual de 2026, que divulgou nos bastidores a possibilidade de o vice-governador recuar da sucessão.













