
O potencial da Economia do Mar para impulsionar o desenvolvimento do Rio Grande do Norte foi o foco do workshop “Desafios e oportunidades para o desenvolvimento da economia do mar do Rio Grande do Norte”, realizado nesta quinta-feira (9), na Casa da Indústria, em Natal. Promovido pelo Cluster Tecnológico Naval do RN, o encontro reuniu empresários, autoridades, pesquisadores e representantes de instituições públicas e privadas.
Na abertura do evento, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz, afirmou que o estado reúne projetos estratégicos que reforçam o papel da economia ligada ao mar.
“O futuro do RN também navega pelo mar.”
Segundo Serquiz, iniciativas em diferentes fases de implantação somam R$ 28,1 bilhões em investimentos previstos. Entre os projetos mencionados estão:
- boia Bravo;
- sítio de testes de energia eólica offshore do SENAI-RN;
- complexo mínero-químico em Mossoró;
- porto-indústria verde;
- projeto Morro Pintado, voltado à instalação da primeira fábrica de Hidrogênio e Amônia Verdes do Rio Grande do Norte.
O presidente da FIERN ressaltou que o litoral potiguar reúne diferentes vocações econômicas.
“Cada trecho da nossa costa revela um potencial próprio e importante para o desenvolvimento. São iniciativas que já começaram a transformar a realidade do setor produtivo do estado e precisamos integrar esses trabalhos.”
Ele também defendeu que o crescimento econômico esteja associado à preservação ambiental.
“O verdadeiro desenvolvimento não acontece às custas do meio ambiente, mas harmonizado ao ambiente onde acontece.”
E acrescentou:
“Temos um potencial à disposição e um propósito. O que precisamos fazer é transformar essa convergência em resultados concretos e o papel do Cluster é justamente estimular a Economia do Mar, otimizando o uso sustentável das vocações.”
Proposta para regulamentação da política estadual
Durante o workshop, o presidente do Cluster Tecnológico Naval do RN, Djalma Júnior, destacou o potencial econômico do litoral potiguar e entregou ao Governo do Estado uma minuta de regulamentação da Política Estadual de Incentivo à Economia do Mar, instituída pela Lei nº 11.714, de 10 de abril de 2024.
Segundo ele, o documento propõe diretrizes e indicadores para fortalecer a implementação da política pública.
“O RN tem 410km de costa, com 70% do PIB em atividades relacionadas à Economia do Mar e precisamos, além de debater, colocar em prática tudo aquilo que temos como potencial.”
Representando a governadora Fátima Bezerra, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Lahyre Rosado Neto, destacou a importância da integração entre o setor produtivo e o poder público.
“Vivemos um momento muito importante em que a Economia do Mar é fundamental para o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte. O diálogo entre o poder público e os setores econômicos é essencial para avançarmos no aproveitamento desses potenciais.”
Pequenos negócios e inovação
O superintendente do Sebrae-RN, Zeca Melo, afirmou que a Economia do Mar envolve diversos segmentos relevantes para o estado e reforçou a participação das micro e pequenas empresas nesse processo.
“Temos um trabalho importante do Sebrae voltado à Economia do Mar. Esse tema é uma das prioridades da instituição porque abrange diversos setores relevantes para nosso estado, como o turismo, a pesca, a energia eólica e o sal.”
O evento foi promovido pela FIERN, Sebrae-RN, SENAI-RN, Emgepron, Brava Energia e Intermarítima, com apoio da Universidade de Coimbra.
Especialistas debatem transição energética e inovação
A programação reuniu palestras e debates sobre temas relacionados à indústria naval, logística portuária, energias renováveis offshore, inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento econômico.
Entre os palestrantes, o CEO da Thyssen Krupp na América do Sul, Paulo Alvarenga, abordou a contribuição da Economia do Mar para a transição energética.
“Temos a oportunidade de o Brasil se reposicionar no cenário da transição energética global, inclusive no ambiente geopolítico.”
Ele também afirmou:
“O Brasil conta com uma oportunidade estratégica de integrar energias renováveis, hidrogênio verde e a indústria naval como vetor de desenvolvimento sustentável.”
A programação contou ainda com apresentações sobre desafios regulatórios para o setor, propriedade intelectual aplicada à inovação costeira e uma mesa de debates com representantes da indústria, do poder público e de instituições de pesquisa.
Sobre o Cluster Tecnológico Naval
O Cluster Tecnológico Naval do Rio Grande do Norte é uma associação civil sem fins lucrativos criada para estimular negócios ligados à Economia do Mar no estado.
A entidade foi fundada por seis instituições:
- Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN);
- Intermarítima Portos e Logística S.A.;
- SENAI-RN;
- Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron);
- Cooperativa de Produção e Serviços da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura do Brasil (Coopesbra);
- Brava Energia.
O objetivo é fortalecer a integração entre empresas, instituições de ensino, investidores e poder público, incentivando novos investimentos e a expansão das atividades econômicas relacionadas ao ambiente marítimo.













